“Falso Executivo”: operação mira esquema de estelionato eletrônico no RS

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UM Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrounesta terça-feira (9), uma operação de combate a uma organização criminosa especializada em estelionatos eletrônicos. O grupo fingia representar executivos de empresas a funcionários de setores financeiros.

O golpe causou um prejuízo de quase R$ 200 milhões a uma companhia do ramo industrial.

Ao todo, foram cumpridas mais de 80 medidas cautelaresentre mandados de busca e apreensão, prisão e bloqueio de contas bancárias em Mato Grosso e no Rio Grande do Norte.

Segundo as investigações, os suspeitos utilizavam técnicas de engenharia social para criar perfis falsos em aplicativos de mensagenscom o uso de fotos, nomes e informações públicas de executivos de empresas que eram alvo da prática criminosa.

A partir desse disfarce, os indivíduos conseguiam convencer os funcionários que atuavam na área financeira de cada empresa. Desse modo, eles se aproveitavam para realizar transferências bancárias utilizando demandas urgentes e sigilosas como justificativas.

O golpe era realizado nas regiões próximas ao município de Cuiabá (MT), e os valores eram rapidamente difundidos em inúmeras contas bancárias de diferentes estados para dificultar o rastreamento da ação.

Estrutura planejada

A organização era divida de forma hierárquica e especializada. Havia os articulares e os executores que planejavam as fraudes e entravam em contato direto com as vítimas. Assim como os gerentes que eram responsáveis pela movimentação financeira e distribuíam os valores arrecadados.

Além disso, o grupo possuía recrutadores responsáveis por levantar contas bancárias mediante pagamento de comissões, os chamados “tripeiros”, e terceiros que forneciam suas contas correntes para receber os valores acumulados pelo golpe, conhecidos como “conteiros”.

Para a delegada Luciane Bertoletti, responsável pela investigação, a organização possuía um grau de planejamento na execução do crime. Segundo Bertoletti, os sujeitos estudavam previamente cada detalhe das empresas e sabiam quais os responsáveis de cada área, principalmente de quem tinha acesso direto ao setor financeiro.

A delegada alerta que esse tipo de golpe tem se tornado cada vez mais sofisticado e comum no ambiente corporativo brasileiro.

Os investigados podem responder por estelionato qualificado por fraude eletrônicalavagem de dinheiro e organização criminosa, com penas máximas que ultrapassam 26 anos de reclusão.

Foram cumpridas 87 medidas cautelares, sendo 60 mandados de busca e apreensão, 27 mandados de prisão e ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias utilizadas pelo grupo.

A Operação Interface recebeu apoio estratégico do MJSP (Ministério da Justiça e Segurança Pública), por meio do Ciberlab (Laboratório de Operações Cibernéticas), vinculado à CGCIBER (Coordenação-Geral de Combate aos Crimes Cibernéticos) da Diopi (Diretoria de Operações Integradas e de Inteligência), ligada à Senasp (Secretaria Nacional de Segurança Pública).

*Sob supervisão de Carolina Figueiredo

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