Minas Gerais é um ‘espelho da divisão do país todo’, avalia cientista político sobre pesquisa eleitoral

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Os resultados da pesquisa eleitoral Quaest desta quarta-feira (6), que indicam preferência ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no eleitorado do Nordeste e vantagem de Flávio Bolsonaro (PL) no Sul do país, reforçam um cenário esperado. Um destaque positivo é o desempenho de Lula no segundo turno em Minas Gerais, tradicionalmente considerado o “fiel da balança” em eleições por ser o segundo maior colégio eleitoral do país.

Essa é a avaliação do cientista político Paulo Roberto de Souza em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato. “Tem pontos positivos e negativos se formos analisar pela lógica da candidatura do Lula. O ponto positivo é a consolidação significativa no Nordeste, nos estados mais populosos, tem algum desempenho importante no primeiro turno em Minas Gerais e no Paraná e Rio Grande do Sul, mas no segundo turno, o caldo entorna”, analisa.

Souza destaca Minas Gerais, estado em que, embora acirrada a disputa, Lula ainda figura à frente no segundo turno. “Se for pegar os dados, você vê o Zema com 11% das intenções, e, quando você pega o segundo turno, a maior parte dos votos do Zema vai para o Lula, o que indica uma separação e não um alinhamento, o que é importante para essa eleição”, aponta.

“Minas é um estado muito grande, tem regiões que dialogam com outras macrorregiões que não somente o Sudeste. Então você tem a parte mais ao sul, que vai ser de diálogo com São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo; você tem ao norte uma já chamada ‘Minas Gerais do Nordeste’, que tem uma conexão maior com a Bahia. E você tem também, na parte oeste, uma relação com o Centro-Oeste. Minas é um estado que tem diversos pequenos Brasis dentro do seu contexto. Isso é muito importante para a gente entender, porque o estado acaba representando (as eleições gerais). E, nesse sentido, ele está representando, na verdade, a situação atual. A divisão interna de Minas Gerais é um espelho da divisão do país todo”, avalia.

Para ele, o desafio atual do presidente é reduzir a vantagem da extrema direita no Sul e Sudeste, especialmente no segundo turno. “Antes do processo eleitoral, o governo precisa demonstrar melhor avaliação nesses estados em que ele está com aprovação mais baixa. Tem reprovação que chega a 60%. Isso é muito complicado. Levando em consideração que o período eleitoral começa em agosto, o governo tem esses três meses para lutar por uma melhoria na sua avaliação e se tornar mais competitivo”, diz.

Souza aponta que a disputa pelos votos dos indecisos pode também ajudar a reeleição de Lula em um eventual segundo turno. “As pesquisas apontam uma média de 6% de indecisos. O que isso significa? São pessoas que têm a intenção de votar, mas ainda não decidiram. Se a gente tem uma diferença de intenção de votos de 3% no segundo turno, significa que esses 6% serão fundamentais para vencer a eleição”, afirma.

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