Aos 36 anos, o pernambucano Vitor Araújo lança seu novo disco Tourogravado durante o Festival da Holandaem Amsterdã, com uma orquestra sinfônica. Pianista virtuoso, Araújo é o convidado do episódio 114 do podcast Sabe Som?apresentado por Thiago França.
O artista conta que o novo trabalho faz uma homenagem às suas origens e às diversas manifestações artísticas de Pernambuco. Ele destaca ainda a formação da orquestra com mais de 20 músicos, a qual, segundo Araújo, possui uma sonoridade que tem muita força e isso se expressa no nome do disco.
“Eu tenho uma dificuldade terrível (para definir o nome do álbum). Dos meus discos, que só sou eu, porque o meu disco com o Arnaldo Antunes, a gente tem uma faixa título. O nome do disco é Lágrimas sem mar e tem uma faixa chamada Lágrimas sem mar. Mas meus outros discos, nenhum título está como nome de faixa. O Levaguinha Terê não está como nome de faixa, o AB não está como nome de faixa, o Touro também não”, conta, ao desabafar sobre a dificuldade em encontrar nomes para os seus discos.
Ele lembra que ficou bastante tempo avaliando o nome do disco. “Ficou provisoriamente como o Vitor Araújo e Metropolorcast Live em Amsterdã, mas eu não gostava muito desse nome. Eu fiquei buscando um nome querendo que fosse um nome muito pernambucano, porque o disco, de certa forma, homenageia várias manifestações rítmicas, melódicas, harmônicas de Pernambuco.”
Vitor Araújo, inclusive, considerou um nome que não fosse português. “Fiquei com a impressão de que eu queria achar um nome que não fosse português. Fiquei: ‘Será que eu consigo sair do português um nome bem pernambucano e não sendo português?’ Eu achei o Toró, que é uma expressão em tupi-guarani, que a gente usa muito em Recife. Toró é uma palavra que achei bonito porque tem essa característica de um nome que fala de um evento”, conta.
O pianista fala ainda sobre como desenvolveu sua própria linguagem a partir de um estudo muito dedicado do instrumento. “Eu sempre fui de improvisar no piano, além de tocar as peças. A minha vida toda, a música foi meu laboratório. Desde o comecinho, no conservatório, aprendi a ler partitura antes de aprender a tocar no instrumento. Fiz todo o cânone. Eu não me lembro muito de como é que era a minha cabeça, mas eu tenho a impressão que eu pensei algo como: ‘Agora é um recital meu? Eu não estou fazendo um concurso que eu vou ter que tirar uma nota e, portanto, eu vou ter que corresponder. Agora é um recital meu?’ E eu me senti muito autor”, afirma.
Vitor Araújo relembra também uma história bastante aflitiva sobre a véspera da gravação do concerto que originou Touro. “Eu sou um dos grandes roedores de unha do Brasil. Minha técnica é invejável. A quantidade de coisa que eu consigo arrancar daqui é incrível. E eu estou acostumado, de vez em quando, a arrancar uma coisa a mais e ficar doendo, ardendo, porque arranquei uma coisa que não era pra ter arrancado. Isso é normal. Sendo que, à noite, começou a doer muito, começou a inchar meu dedo. E aí eu não consegui dormir. Quando chegou de manhã eu comecei a chorar, porque o show era no dia, e eu não tinha dormido ainda.”
O artista foi para o atendimento médico, que não conseguiu resolver. Muita gente começou a tentar convencê-lo que a saúde vinha em primeiro lugar e que era necessário cancelar o concerto, mas ele bateu o pé e conseguiu realizar o show. “A unha caiu inteira. É uma loucura. A unha, durante o concerto, ela já estava meio que descolando pro lado assim. Eu fiz o concerto cheio de analgésico. Muitos analgésicos. Cada um que aparecia no camarim me dava um diferente. Foi ótimo, porque eu tomei uns 5, 6 tipos de analgésico diferente. Subi no palco dessa forma.”
Vitor Araújo também fala de como o cinema influenciou sua obra, quais as principais referências e o que tem ouvido atualmente, além de contar muitos outros casos divertidos de sua trajetória. O podcast Sabe Som? vai ao ar toda sexta-feira às 15h e está disponível nas principais plataformas de áudio, como Spotify e YouTube Music.
Ouça o episódio do podcast abaixo:

