No Dia Internacional do Trabalhador, comemorado nesta sexta-feira (1), centrais sindicais, movimentos sociais e partidos políticos irão celebrar a data de forma organizada, com a realização de atos políticos em diversas cidades brasileiras. Em Fortaleza, a atividade tem sido organizada pela Frente Brasil Popular e Povo Sem Medo, junto à Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Travessia e Intersindical – Central da Classe Trabalhadora, e acontece a partir das 15h no Espigão da Rui Barbosa, na Praia de Iracema.
Augusto Monteiro, secretário-geral do Sindicato dos Servidores e Empregados Públicos do Município de Fortaleza (Sindifort) e da Intersindical Ceará, destaca que o 1º de maio representa luta e resistência, e não é simplesmente uma data para celebração, mas um momento de discussão e unificação das pautas da classe trabalhadora. “O momento exige mobilização diante do cenário político. É urgente combatermos o fascismo, o golpismo e o imperialismo. Podemos perder, inclusive, o nosso direito de lutar e a nossa ainda inacabada democracia, assim como a soberania nacional”, afirmou.
O ato traz como principais pautas o fim da escala de trabalho 6×1, modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho para um de descanso, a redução da jornada sem redução salarial, o fortalecimento de políticas de valorização do trabalho, o combate à violência contra as mulheres e a implementação da tarifa zero no transporte coletivo.
Monteiro reforça que a data ganha ainda mais relevância diante dos avanços recentes em pautas históricas da classe trabalhadora. Segundo ele, a discussão sobre o fim da escala 6×1 e a redução da jornada sem redução de salários já avança no Congresso Nacional por meio das PECs 221/2019 e 8/2025. “O 1º de maio também precisa ser um pontapé da nossa organização e vigilância, porque essas propostas precisam manter o seu conteúdo original e não podem ser desidratadas no processo legislativo”, explicou.
Ele também alerta que, apesar dos avanços, a precarização do trabalho pode limitar conquistas concretas. “Se a negociação tiver mais peso do que a legislação, na prática a gente pode não conseguir avançar. Por isso, é fundamental manter a mobilização”, disse.
O presidente da CUT Ceará, Wil Pereira, afirma que o ato faz parte de um processo contínuo de mobilização da classe trabalhadora. Segundo ele, a defesa da redução da jornada tem ganhado força diante das condições atuais de trabalho e encontra respaldo popular. “A luta pelo fim da escala 6×1 e pela redução da jornada sem redução de salários é central neste momento. Estamos falando de garantir mais qualidade de vida, mais tempo para a família e para o descanso, sem abrir mão de direitos”, disse.
Wil também ressaltou o caráter político da mobilização deste ano. “Os trabalhadores irão às ruas para pressionar o Congresso e avançar em propostas que enfrentem desigualdades históricas. Não é apenas uma reivindicação pontual, é a construção de um novo pacto social.”
Outras reivindicações
Outras pautas também ganham destaque na mobilização deste ano, como o combate ao feminicídio e à violência de gênero. À frente da Secretaria de Mulheres da CUT Ceará, Claudinha Silva ressalta que o tema precisa estar no centro das mobilizações. “Não existe justiça social sem enfrentar todas as formas de violência contra as mulheres”, afirmou.
Outra pauta presente no ato é a defesa da implantação da tarifa zero no transporte público municipal. Monteiro ressalta que garantir o transporte público como um direito social é fundamental para assegurar o deslocamento dos trabalhadores, que passam horas no trânsito diariamente. Além disso, o dirigente também inclui na agenda a pauta ambiental, diante do cenário de emergência climática e aquecimento global, e a defesa do serviço público como instrumento essencial para a redução das desigualdades sociais e a efetivação de políticas públicas.
Monteiro ainda ressalta a importância da defesa da democracia e da soberania nacional no contexto político atual. “É preciso impedir que o fascismo e o golpismo voltem ao poder e lutar por um Congresso Nacional comprometido com os interesses do povo”, destacou. Por fim, o sindicalista reforça o chamado à participação popular no ato. “É fundamental que sindicatos, movimentos sociais e todos os trabalhadores, sejam eles formais, informais e plataformizados estejam presentes. Precisamos ocupar a cidade e demonstrar a força da classe trabalhadora”, convocou.
O ato integra a agenda nacional de mobilizações do 1º de Maio e reforça a articulação entre diferentes organizações em torno da ampliação de direitos sociais e melhores condições de trabalho.
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