Ó Fórum Social das Periferias chega à quarta edição em Porto Alegre e reúne movimentos sociais, coletivos, organizações comunitárias e moradores de diferentes regiões da cidade para discutir direitos, participação social e o papel das comunidades na formulação e fiscalização de políticas públicas. O encontro ocorre entre os dias 1º e 5 de maio, com atividades em territórios como Vila Nova, Restinga, Rubem Berta, Morro da Cruz, Glória e Floresta.
Com o tema centrado na auto-organização das comunidades e no controle social sobre as políticas públicas, o Fórum se estrutura a partir de rodas de conversa, atividades culturais e ações formativas. A proposta, segundo a organização, é fortalecer o protagonismo popular diante de desafios históricos enfrentados nas periferias urbanas, como o acesso desigual a serviços, a precariedade habitacional e a limitação de espaços institucionais de participação.
A programação reúne mais de quinze atividades ao longo de cinco dias, incluindo debates temáticos, apresentações culturais e iniciativas esportivas. A presença de convidados de outros países da América Latina também marca esta edição, ampliando o intercâmbio de experiências sobre organização popular, soberania e políticas sociais.

Organização comunitária e disputa por direitos
O Fórum se insere em um contexto de mobilização social que busca ampliar a participação direta das comunidades nas decisões públicas. A iniciativa dialoga com uma tradição histórica de organização popular em Porto Alegre, marcada por experiências como o orçamento participativo e a atuação de movimentos de moradia, cultura e direitos humanos.
De acordo com os organizadores, a proposta não é apenas debater, mas construir estratégias coletivas que possam incidir nas políticas públicas municipais, estaduais e federais. Temas como educação, saúde, habitação, combate ao racismo, economia solidária e segurança pública atravessam a programação, evidenciando a multiplicidade de pautas presentes nos territórios periféricos.
Ao mesmo tempo, o evento ocorre em meio a disputas concretas envolvendo projetos urbanos e impactos sobre comunidades. Um dos exemplos é a mobilização contra intervenções previstas na região do Arroio Dilúvio, que, segundo os organizadores, podem afetar centenas de famílias. A marcha de encerramento do Fórum está diretamente relacionada a essa pauta, buscando dar visibilidade às reivindicações dos moradores.
Cultura, formação e articulação latino-americana
Além dos debates políticos, o Fórum aposta na cultura como elemento central de mobilização e identidade. Shows de hip hop, exibições comunitárias de cinema e atividades culturais integram a programação, reforçando o papel das expressões artísticas na construção de narrativas próprias das periferias.
A dimensão formativa também se destaca, com rodas de conversa que abordam desde a educação popular inspirada em Paulo Freire até experiências de economia solidária e autogestão. A presença de representantes de países como Argentina, Uruguai, Cuba e Venezuela contribui para ampliar o debate sobre soberania e integração regional, trazendo perspectivas diversas sobre organização social e resistência.
Segundo participantes convidados, a troca internacional permite identificar desafios comuns enfrentados por comunidades periféricas em diferentes contextos, ao mesmo tempo em que fortalece redes de solidariedade e cooperação.
Abertura no Dia dos Trabalhadores
A abertura do Fórum acontece na sexta-feira, dia 1º de maio, data simbólica para movimentos sociais e organizações de trabalhadores. A atividade será realizada no Campo do Periquito, na Vila Nova, combinando esporte, cultura e convivência comunitária.
A final da Copa Che Guevara de futebol de várzea marca o início da programação, seguida de apresentações culturais e um almoço coletivo. A escolha do formato reflete a proposta do Fórum de integrar diferentes dimensões da vida comunitária, valorizando práticas já presentes nos territórios.
Após as atividades da manhã e início da tarde, os participantes poderão se deslocar para a programação unificada do Dia dos Trabalhadores no centro da cidade, ampliando a articulação com centrais sindicais e outras organizações.
Programação distribuída pelos territórios
Antes da abertura oficial, neste sábado (25), uma roda do grupo de trabalho de comunicação debate a cobertura colaborativa do evento, indicando a preocupação com a produção e circulação de informações a partir das próprias periferias.
No dia 1º de maio, além da atividade de abertura na Vila Nova, ocorre uma roda de conversa sobre educação, escolas e comunidades na região da Cidade Baixa, abordando desafios e possibilidades na relação entre ensino e território.

No dia 2 de maio, a programação se espalha por diferentes regiões. No bairro São José, uma roda discute a soberania dos países e a conjuntura internacional com participação de convidados latino-americanos. No centro da cidade, no assentamento Utopia e Luta, ocorre uma atividade do grupo de educação inspirada no pensamento de Paulo Freire. No Morro Quente, o debate se volta à saúde nas cozinhas solidárias, enquanto no bairro Glória uma roda aborda o protagonismo popular nos processos políticos.

As atividades seguem no dia 3 de maio com destaque para o debate sobre os desafios das mulheres das periferias, na Restinga, reunindo organizações como movimentos de moradia e coletivos feministas. No Rubem Berta, a discussão gira em torno da cultura popular e das políticas públicas, seguida por apresentação de hip hop.
No centro, o tema da habitação ganha espaço com visita a obra e debate sobre autogestão e cooperativismo. Ainda no mesmo dia, a comunicação comunitária é tema de uma roda no bairro Glória, e o combate ao racismo aparece em atividade cultural no Morro da Cruz.

No dia 4 de maio, a economia popular e solidária é o eixo central, com atividades na Pedreira e no bairro Floresta, discutindo alternativas econômicas construídas a partir das organizações comunitárias. Também ocorre um debate sobre racismo, feminicídio e segurança pública, evidenciando a interseção entre violência, desigualdade e políticas públicas.

O encerramento, no dia 5 de maio, será realizado no bairro Santana, com atividades culturais, avaliação coletiva da edição e um cortejo seguido de marcha em defesa das famílias atingidas por projetos urbanos na cidade.


