Com o objetivo de gerar espaços de troca de saberes e experiências político-pedagógicas, iniciou-se em Havana, no último dia 12 de fevereiro, o 7º Intercâmbio de Educação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST). Com a participação de militantes provenientes de diferentes estados do Brasil, educadores do setor de produção e militantes do movimento, o encontro — que se estenderá até 27 de fevereiro — propõe aprofundar os modos pelos quais o bloqueio impactou o sistema educacional e a vida cotidiana do povo cubano.
Dedicada ao Centenário de Fidel Castro, a iniciativa busca dialogar com diversas experiências educativas e conhecer suas estruturas formativas, por meio de visitas que vão desde os círculos infantis até as universidades, incluindo a educação especial, as escolas do campo, museus e espaços culturais. Da mesma forma, pretende-se aprofundar na pedagogia cubana — tanto em sua formulação teórica quanto em sua prática — e analisar o papel da Revolução Cubana nesse processo.
Este ano, o intercâmbio ocorre em um contexto marcado pelo recrudescimento da hostilidade dos Estados Unidos contra Cuba. No último dia 29 de janeiro, com o objetivo de impor uma asfixia energética à ilha, a Casa Branca anunciou que aplicará sanções — por meio de novas tarifas — a qualquer país que “venda ou forneça petróleo a Cuba”.
Nesse contexto, Nivia Regina da Silva, integrante da Brigada do MST em Cuba, ressalta que se trata de um intercâmbio “especial”, que também assume o caráter de brigada de solidariedade.
“Este intercâmbio tem um significado especial, pois é uma oportunidade para acompanhar Cuba neste momento difícil. É diferente dos anteriores porque se desenvolve em uma conjuntura complexa, mas também nos permite estar presentes, observar, ser solidários e comprometidos”, afirma.
O intercâmbio acontece em um momento em que o governo cubano, em diálogo com as organizações populares, está racionalizando o fornecimento de energia para enfrentar a situação atual. O objetivo dessa racionalização é garantir que o limitado fornecimento elétrico do país afete o mínimo possível os setores sociais mais vulneráveis.
“Nos emociona muito saber que esta brigada chega em um momento tão complexo, reafirmando o compromisso e a coragem de defender Cuba”, afirma Regina da Silva, que ressalta que o percurso “oferece a possibilidade de conhecer a realidade concreta diante das notícias falsas que circulam”.
O Intercâmbio de Educação é uma iniciativa de articulação do MST com o Ministério da Educação de Cuba e com o Centro Martin Luther King Jr., um centro ecumênico de inspiração cristã que promove valores emancipatórios, permitindo que dirigentes sociais do âmbito educacional, professores e educadores dos movimentos do campo possam, ano após ano, conhecer de primeira mão a realidade cubana.
Uma educação para a emancipação
Regina da Silva afirma que a principal aposta é que os participantes “possam conhecer a riqueza da pedagogia cubana, uma pedagogia libertadora, com raízes em Félix Varela e José Martí, comprometida com causas justas e com a luta do povo”. Ela destaca que se trata de uma pedagogia que “não foi linear”, mas que se transformou e se reconstruiu ao longo do tempo, moldando diferentes formas de conceber a educação.
“Fidel dizia: ‘Educação é tudo’, mas em sentido amplo: formação integral do ser humano, formação patriótica e formação cultural”, lembra. Ressalta ainda que se trata de “pensar a pedagogia como ciência — não apenas como ferramenta ou metodologia, mas como uma forma de incidir também nas dimensões objetivas e subjetivas da formação humana”.
Entre as atividades que a brigada realizará estão visitas a escolas do campo; percursos por espaços dedicados à campanha de alfabetização — por meio da qual, em 1961, Cuba se declarou território livre do analfabetismo —; e encontros com organizações juvenis e estudantis, desde os pioneiros — que reúnem os menores — até as organizações universitárias.
“O que esperamos é aprender, continuar aprendendo com este povo, com sua força, com sua capacidade de resistência e com sua luta”, afirma Matilde de Oliveira Lima, integrante do Setor Nacional de Educação do MST, que destaca que foi essa luta que permitiu que a Revolução conquistasse a educação como um direito humano.
A visita coincide com o ano do centenário do dirigente histórico Fidel Castro. Ao longo do ano, apesar das imensas dificuldades, Cuba realizará diversas atividades e encontros para debater as ideias e a prática política de Fidel.
“Já estamos vendo como as ideias de Fidel permanecem vivas — afirmou Matilde de Oliveira Lima —. Não como um ídolo, mas como alguém que conta com o carinho do povo. Começamos a percebê-lo em sua prática, em suas ideias, no que viveu, no que escreveu e no que disse, mas sobretudo no que fez: em sua humildade e em sua capacidade de ser sincero com o povo.”
Oliveira Lima ressalta que, para o MST, este encontro é uma forma de expressar respeito pela resistência, pela luta e pelas conquistas alcançadas, bem como pelo esforço que o povo cubano continua realizando para sustentar esses avanços. “Estamos aqui para reafirmar nosso apoio incondicional e nossa solidariedade.”

