Ajudando ou não Cuba, o Brasil está no alvo de Donald Trump, avalia analista internacional

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou nesta sexta-feira (27) que pretende fazer uma “aquisição amigável” de Cuba, argumentando que a ilha “não tem dinheiro, não tem nada neste momento”. A declaração, recebida com ironia e indignação, ocorre em meio ao agravamento da crise energética e humanitária em Cuba, intensificada por Washington.

“É irônico chamar de amigável um bloqueio econômico e físico que os Estados Unidos estão promovendo há quase 70 anos, principalmente agora nesse segundo governo do Trump sob a liderança do Marco Rubio”, declara a analista internacional Amanda Harumy no Conexão BdF e Rádio Brasil de Fato.

Harumy defende que a defesa de Cuba vai além da solidariedade à ilha. “A ilha foi responsável por influenciar diversos processos progressistas na América Latina e segue influenciando em diversas áreas – saúde, educação. A queda de Cuba não seria apenas a queda de um governo, mas um enfrentamento do que representa politicamente a América Latina hoje.”

Ela lembra que o Brasil também está sob chantagem que pode impactar a economia e consequentemente ter um impacto na eleição presidencial. “O governo Trump vem interferindo em todas as eleições da América Latina – Honduras, Costa Rica, Argentina, Chile. As próximas serão na Colômbia e no Brasil.”

A analista conclui que o recuo não resolve o problema: “Estar recuado não soluciona o problema de intervenção dos Estados Unidos na conjuntura política do Brasil. Nós, ajudando ou não Cuba, defendendo ou não a paz na América Latina, estamos no alvo.”

Sufocada energeticamente

Ela contextualiza a situação crítica da ilha que está tendo sua economia sufocada energeticamente. “Cuba já não tem mais combustíveis, não tem capacidade de energia para sua população, frustrando os serviços públicos e sociais. Não existe nada de amigável na política externa dos Estados Unidos hoje para a América Latina e para Cuba.”

A analista lembra que Trump já havia declarado anteriormente que Marco Rubio “seria um bom presidente de Cuba”. “Ele só está esquecendo do povo de Cuba, que é muito politizado e que segue de maneira resiliente resistindo a esses processos de ataque.”

Harumy destaca que a declaração ocorreu dias após a interceptação de uma embarcação pela segurança nacional cubana. “Morreram quatro estadunidenses que tinham como intenção se infiltrar e desestabilizar ainda mais politicamente a ilha. O cenário não é amigável, é extremamente tenso. A política externa dos Estados Unidos declarou que quer derrubar o governo de Díaz-Canel.”

Ela lembra que os Estados Unidos vêm atacando inúmeras embarcações no mar do Caribe – venezuelanas, colombianas, latino-americanas – sob o pretexto de combate ao narcotráfico. “Nenhuma prova, nenhum momento apareceu qualquer prova de que essas embarcações carregavam drogas. As pessoas foram exterminadas no mar do Caribe por Donald Trump.”

Para a analista, a declaração de Trump e os ataques anteriores precisam ser lidos em conjunto. “A gente já viu a disposição dos Estados Unidos em utilizar seu aparato militar para invadir a América Latina. O que aconteceu na Venezuela foi muito grave e tem tudo a ver com a relação política também de Cuba.”

Ela lembra que a Venezuela era um grande parceiro econômico e energético da ilha. “O ataque à Venezuela sufoca Cuba energeticamente. E sabemos da superioridade militar americana – a operação em Caracas teve em torno de 50 minutos. O governo Trump tem a disposição de desestabilizar politicamente, economicamente e até mesmo militarmente. Esse processo pode ser uma tragédia para a América Latina.”

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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