Problemas na merenda escolar se repetem em Foz do Iguaçu pelo segundo ano consecutivo

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Pelo segundo ano consecutivo, a merenda escolar da rede municipal de Foz do Iguaçu é alvo de questionamentos sob a gestão do prefeito General Silva e Luna (PL). Registros recentes, falhas reconhecidas pela própria prefeitura em 2025 e a falta de dados públicos sobre fiscalização e fornecedores em 2026 sustentam as críticas.

Fotos feitas na última semana em Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) mostram o excesso de gordura gerada pela carne utilizada durante o preparo do alimento. Em uma das imagens, a carne aparece após o cozimento, com a gordura retirada ao lado. Em outra, a gordura removida está concentrada em um recipiente separado.

O material foi divulgado pela vereadora Valentina Rocha (PT) e atribuído a uma merendeira da rede municipal que pediu anonimato. O Sindicato dos Professores e Profissionais da Educação da Rede Pública Municipal (Sinprefi) confirmou a autenticidade das imagens.

Segundo a trabalhadora, a situação é recorrente no cotidiano das cozinhas escolares. “Quando a carne começa a cozinhar, solta muita gordura. Em alguns dias, precisamos retirar bastante antes de servir às crianças”, afirmou.

Problemas reconhecidos em 2025

Os registros atuais se conectam a episódios ocorridos no ano anterior. Em 2025, um vídeo que circulou publicamente mostrou embalagens de carne com etiquetas sobrepostas e informações divergentes sobre o teor de gordura no mesmo produto: 5% em uma etiqueta e 20% em outra.

Procurada à época, a Prefeitura de Foz do Iguaçu afirmou que foram identificados problemas pontuais na qualidade da carne moída fornecida à rede municipal, incluindo teor de gordura acima do limite previsto em edital. Segundo a administração, as entregas foram suspensas, o item foi retirado e um novo processo licitatório foi realizado ainda em 2025.

Para 2026, a gestão afirma que houve troca de fornecedor e sustenta que não há registros formais de reclamações sobre a carne moída nas unidades escolares.

Dados de fiscalização não divulgados

Apesar das explicações oficiais, informações centrais para a verificação independente do fornecimento seguem indisponíveis ao público. Até o momento, a prefeitura não divulgou resultados das inspeções realizadas nas escolas e CMEIs, registros de não conformidades e eventuais ações corretivas, mecanismos de monitoramento da qualidade durante o transporte de alimentos perecíveis, nem a lista nominal dos fornecedores vigentes em 2026, com itens e valores contratados.

Esses dados foram solicitados por meio de requerimentos encaminhados ao Executivo municipal, mas as respostas se limitaram à descrição genérica de procedimentos, sem apresentação de relatórios técnicos, laudos ou documentação comprobatória.

Denúncias aos órgãos de controle

A recorrência de episódios levou à formalização de denúncias. Na quinta-feira (26), o Sinprefi, conselhos da área da educação e a Comissão de Educação da Câmara Municipal formalizaram representações ao Ministério Público após relatos de desabastecimento e falhas administrativas no início do ano letivo de 2026.

Em manifestações públicas, Valentina Rocha afirmou que os registros reforçam a necessidade de vigilância permanente sobre a qualidade da merenda escolar e convocou a participação das famílias. “Pais e responsáveis precisam acompanhar o que está sendo servido aos alunos e registrar qualquer problema”, disse.

Procurada novamente sobre a divulgação dos relatórios de inspeção, o monitoramento do transporte e a relação completa de fornecedores vigentes em 2026, a Prefeitura de Foz do Iguaçu não respondeu até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto às manifestações.

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