A Autoridade Nacional Palestina está pronta para trabalhar com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair em seus esforços para consolidar o cessar-fogo e iniciar a reconstrução da Faixa de Gaza, disse o vice-presidente da organização, Hussein Al-Sheik, neste domingo (13).
Al-Sheik emitiu a declaração durante encontro com o ex-primeiro-ministro britânico.
O plano de Trump para acabar com a guerra oferece a perspectiva de a Autoridade Palestina, com sede na Cisjordânia ocupada por Israel e liderada por Mahmoud Abbas, eventualmente assumir o controle de Gaza no longo prazo.
A organização perdeu o controle do território para o grupo radical islâmico Hamas em 2007, e o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, em um primeiro momento, rejeitou que Gaza volte a ser governada pela Autoridade Palestina.
A proposta de Trump estabelece que o Hamas deve acabar com seu domínio sobre Gaza e prevê que o território seja administrado por um comitê tecnocrático palestino supervisionado por um órgão internacional presidido por ele, e que também incluiria Blair.
Al-Sheikh disse que se encontrou com Blair para discutir o futuro de Gaza e tornar efetivo o plano de Trump para “parar a guerra em Gaza e estabelecer uma paz duradoura na região um sucesso”.
“Confirmamos nossa prontidão para trabalhar com o presidente Trump, o senhor Blair e outros parceiros para consolidar o cessar-fogo, a entrada de ajuda, a libertação de reféns e prisioneiros e, em seguida, começar com a recuperação e reconstrução”, escreveu Al-Sheikh no X.
Hoje encontrei-me com Tony Blair para discutir o dia seguinte à guerra e os esforços destinados a tornar os esforços do Presidente Trump, que visam parar a guerra e estabelecer uma paz duradoura na região, um sucesso. Confirmámos a nossa disponibilidade para trabalhar com o Presidente Trump, o Sr. Blair e… https://t.co/cPLZmYB40A
– Hussein Al Sheikh (@HusseinSheikhpl) 12 de outubro de 2025
“Escolha aceitável”
Também neste domingo, Trump levantou questionamento se Blair servirá no “conselho de paz”, em meio a críticas contínuas ao ex-premiê por seu papel na Guerra do Iraque, no início dos anos 2000.
“Sempre gostei de Tony, mas quero ver se ele é uma escolha aceitável para todos”, disse Trump, sem nomear líderes específicos que poderiam estar avaliando sua escolha por Blair.
Trump fez seus comentários a repórteres a bordo do Air Force One durante voo para Israel, onde deve discursar no Knesset (parlamento israelense) nesta segunda-feira (13).
Ele também deve participar de uma cúpula de líderes no Egito, com o objetivo de discutir como encerrar a guerra em Gaza; líderes árabes e muçulmanos estarão presentes.
“Quero descobrir se Tony seria popular para todos, porque eu simplesmente não sei disso”, disse Trump.
A ideia de colocar Blair no conselho provocou descrença entre políticos e analistas palestinos e entre membros de seu próprio Partido Trabalhista, onde sua reputação cai devido à decisão de apoiar a invasão ao Iraque em 2003.
Após a invasão liderada pelos EUA, as alegações dos americanos e do Reino Unido de que o Iraque possuía armas de destruição em massa acabaram se mostrando falsas.

