O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, enfatizou na quinta-feira (05/03) que o Irã está pronto para responder a uma invasão terrestre. “Nossas forças estão preparadas para qualquer cenário e sabemos que somos capazes”, disse ele durante uma entrevista à NBC News.
O chanceler ainda reafirmou que a nação persa não teme uma invasão terrestre, salientando que, se isso acontecesse, “seria um grande desastre para eles“.
Araghchi explicou na entrevista que Teerã não atacou “países muçulmanos” e seus “vizinhos”, acrescentando que conversou com os ministros das Relações Exteriores desses países para explicar que eles não são o alvo. “Atacamos alvos, bases e instalações norte-americanas que, infelizmente, estão localizadas em território de nossos vizinhos”.
A esse respeito, ele mencionou o genocídio perpetrado por Israel contra a população palestina. “Mais de 70 mil pessoas em Gaza foram mortas pelos israelenses, e o exército israelense considerou tudo isso como dano colateral”, lembrou o diplomata.
A instabilidade na região levou a um aumento acentuado nos preços do petróleo e a uma queda no mercado de ações dos EUA. Na segunda-feira (2), o brigadeiro-general da Guarda Revolucionária Iraniana, Ebrahim Jabbari, disse à TV estatal que o Estreito de Ormuz estava fechado e que qualquer navio que passasse por ali seria incendiado.
Araghchi, no entanto, explicou que não havia nenhuma ameaça e que o estreito permanecia aberto. “Eles não fecharam o estreito. São os navios e petroleiros que não tentam atravessá-lo, porque estão preocupados com a possibilidade de serem atingidos por qualquer um dos lados”, disse ele. “Portanto, não temos intenção de fechá-lo agora, mas, à medida que a guerra continua, consideraremos todos os cenários”, ponderou.
A guerra naval já se espalhou para além da região, com o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmando na quarta-feira (4) que um submarino norte-americano afundou um navio militar iraniano com um torpedo no Oceano Índico, uma ação que, segundo o ministro, em uma publicação no X, criaria um precedente que os EUA “lamentariam profundamente”.
Na entrevista, o chanceler afirmou que a embarcação estava desarmada e em um exercício de treinamento, e que o ataque, que matou 87 marinheiros, foi um “crime de guerra”. “Sabe, quando um navio desarmado é atacado sem motivo, e um grande número de marinheiros é morto sem ter participado de qualquer batalha, isso criaria um precedente”, disse ele.
Em relação ao ataque a uma escola primária em Minab, que matou dezenas de crianças em 28 de fevereiro, Araghchi afirmou que 171 crianças morreram no incidente e culpou as forças militares americanas e israelenses. Até o momento, pelo menos 1.332 pessoas foram mortas em decorrência da agressão que começou em 28 de fevereiro.
A expansão da guerra pela região também levantou a questão sobre se os principais aliados do Irã — Rússia e China — poderiam entrar no conflito. “Eles estão nos apoiando politicamente e de outras formas”, disse o ministro, acrescentando: “Não vou dar detalhes sobre nossa cooperação com outros países, bem no meio da guerra”.
Quase uma semana após o início do conflito, Araghchi afirmou que sua mensagem para Trump era a de que o plano dos EUA para alcançar uma “vitória limpa e rápida” havia fracassado.
“Não há como eles vencerem esta guerra. Resistiremos enquanto for preciso”, disse ele. “Portanto, é melhor que parem com esta guerra e parem de matar nosso povo.”

