Em meio às ações de luta do Dia Internacional das Mulheres, as integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Paraná elegeram como palco da sua jornada anual a região Centro-Sul do estado, ainda em recuperação do tornado que devastou o município de Rio Bonito do Iguaçu em dezembro de 2025.
“Depois do tornado que atingiu nosso estado, entendemos que nossa jornada precisava acontecer lá, com ações de apoio às comunidades atingidas”, afirmou Carla Dalepiane, da direção do Coletivo de Mulheres do MST no Paraná. Segundo ela, o encontro tem duplo caráter: de solidariedade e de denúncia. “Vamos reunir mulheres de todo o estado para marchar, fazer formação, atividades culturais e reafirmar a luta pela Reforma Agrária Popular e pelo enfrentamento das violências”, completou.
A programação, que se estende até esta terça-feira (10) com atividades também em Laranjeiras do Sul e Guarapuava, integra a Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra, realizada em todo o Brasil. O encontro reúne trabalhadoras rurais de assentamentos e acampamentos da Reforma Agrária, além de mulheres da cidade, combinando formação política, mobilização social e ações diretas.
Entre as autoridades convidadas para acompanhar as atividades estão representantes do Incra, Ibama, Ministério das Mulheres, Itaipu Binacional, Prefeitura Municipal de Rio Bonito do Iguaçu e Universidade Federal da Fronteira Sul (UFFS, Campus Laranjeiras do Sul). O evento é organizado com apoio do projeto Semeando Gestão, fruto do convênio entre a Cooperativa Central da Reforma Agrária do Paraná (CCA-PR) e a Itaipu Binacional, por meio do Programa Mais que Energia, alinhado ao Governo do Brasil e o Comitê de Cultura do Paraná.

O encerramento das atividades na segunda-feira (9) aconteceu com uma ação de solidariedade, as mulheres do movimento distribuíram 3 mil cestas de alimentos a pessoas atingidas pelo tornado da área urbana de Rio Bonito e acampamentos do MST nos municípios vizinhos, além da distribuição de mudas medicinais e frutíferas.

Todos os produtos da cesta – feijão, arroz, achocolatado, fubá de milho, macarrão, melado, erva-mate, farinha de mandioca e café – foram produzidos por cooperativas da Reforma Agrária e comprados pelo Governo Federal através de uma parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e a Associação de Cooperação Agrícola e Reforma Agrária do Paraná (ACAP).
Nesta terça-feira (10), as atividades se voltam às áreas de Reforma Agrária diretamente afetadas pelos tornados. Em Rio Bonito do Iguaçu, na comunidade Herdeiros da Terra de 1º de Maio, está previsto o plantio de cerca de 5 mil mudas em áreas degradadas, como parte das iniciativas da Jornada da Natureza. No Acampamento Antônio Conrado, também haverá plantio em terrenos impactados pelos ventos fortes. Em Guarapuava, uma visita ao Assentamento Nova Geração reunirá ações de reflorestamento e solidariedade às famílias atingidas.

O lema escolhido pelas mulheres do MST para 2026 sintetiza as prioridades do movimento: “Reforma Agrária Popular: enfrentar as violências, ocupar e organizar”. As organizadoras explicam que a frase traduz três eixos centrais da luta: o combate às múltiplas formas de violência, a continuidade da disputa pela terra e o fortalecimento da organização popular nos territórios.


