O governo brasileiro adotou uma postura cautelosa diante da possível classificação das facções criminosas brasileiras como grupos terroristas pelo governo americano. Segundo apuração da analista Jussara Soares, no Horário nobre da CNNa estratégia do Brasil é evitar embates diretos com os Estados Unidos e ganhar tempo para debater o tema.
A reação do Itamaraty tem sido descrita como uma “não-reação”, com orientação para não escalar o ruído diplomático. Há uma avaliação no governo brasileiro de que essa questão estaria sendo patrocinada pela oposição, especificamente pela direita bolsonarista. A prioridade neste momento é afastar tensões com os EUA e preservar o canal de diálogo recentemente estabelecido entre Lula (PT) e Donald Trump.
“Não escalar, não reagir, não fazer esse debate por redes sociais, não ficar emitindo declarações públicas”, explicou Jussara.
Defesa da soberania nacional
O principal argumento do Brasil contra a classificação das facções como organizações terroristas não está relacionado à recusa em combater o crime organizado, mas sim às possíveis consequências dessa designação. Segundo fontes diplomáticas, tal classificação poderia abrir brechas perigosas para intervenção militar estrangeira e sanções econômicas, representando uma ameaça à soberania nacional.
O chanceler brasileiro Mauro Vieira já conversou com Marco Rubio, secretário de Estado americano, sobre o assunto no último domingo (8). Na conversa, também foi discutida a visita prometida de Lula a Trump nos Estados Unidos. A estratégia brasileira segue a mesma linha adotada durante o episódio do tarifaço americano sobre produtos brasileiros, quando o país atuou com discrição e conseguiu abrir canais de diálogo.
Avanços legislativos como argumento
O Brasil pretende apresentar aos Estados Unidos os avanços legislativos no combate às organizações criminosas como argumento contra a classificação terrorista. Entre as medidas destacadas estão o PL antifacção, já aprovado no Congresso Nacional, e a PEC da Segurança, que está em tramitação.
Além disso, Lula já propôs a Trump uma parceria para o combate ao crime organizado, incluindo o tráfico de armas e crimes financeiros. A expectativa é que, caso o encontro entre os dois presidentes se concretize, o brasileiro possa expor pessoalmente esses argumentos e evitar que a questão das facções criminosas prejudique a relação bilateral entre os países.

