Neste domingo (15), o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que a guerra que opõe seu país aos Estados Unidos e a Israel só terminará quando Teerã tiver garantias de que o conflito não será retomado.
“Esta guerra terminará quando tivermos certeza de que não se repetirá e que as reparações serão pagas. Vivenciamos isso no ano passado: Israel atacou, depois os Estados Unidos. Eles se reagruparam e nos atacaram novamente”, disse Araghchi ao veículo de notícias em árabe Al-Araby Al-Jadeedreferindo-se à guerra do Irã com Israel e os EUA em junho de 2025.
Em entrevista à Notícias da NBCo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou acreditar que o Irã estaria disposto a negociar, mas declarou que Washington pretende impor condições mais favoráveis em eventual acordo. Trump também disse que os EUA poderiam voltar a bombardear alvos no centro petrolífero iraniano, na ilha de Kharg, “apenas por diversão”.
“O Irã quer fechar um acordo, e eu não quero fechá-lo porque os termos ainda não são bons o suficiente”, afirmou o presidente.
Direito legítimo de defesa
Araghchi também disse à Al-Araby Al-Jadeed ter evidências de que mísseis teriam sido lançados a partir dos Emirados Árabes Unidos contra a ilha de Kharg, importante centro petrolífero iraniano. “Temos ampla evidência disso: imagens de satélite e vigilância eletrônica demonstram que bases americanas nesta região estão sendo usadas para ataques.”
Em resposta, um oficial do quartel-general central Khatam-al Anbiya, que coordena o exército e a Guarda Revolucionária Islâmica do Irã (IRGC), ordenou, nesse sábado (14), em um comunicado divulgado pela agência de notícias semioficial iraniana Mehr, que residentes dos Emirados Árabes Unidos que se mantivessem afastados de portos, docas e áreas militares estadunidenses “para evitar qualquer dano”.
“Declaramos aos líderes dos Emirados que a República Islâmica do Irã considera seu direito legítimo, em defesa de sua soberania e território nacionais, atacar a origem dos lançamentos de mísseis inimigos americanos contra os portos, docas e esconderijos de militares americanos em algumas cidades dos Emirados.”
Alerta ao Ocidente
Araghchi também alertou países ocidentais para que se abstenham de ampliar o envolvimento na guerra.
Em uma ligação com seu homólogo francês, Jean-Noël Barrot, o chanceler iraniano pediu que a França “se abstenha de qualquer ação que possa levar à escalada e à expansão do conflito”.
A declaração ocorre após Trump defender que potências mundiais escoltem petroleiros no Estreito de Ormuz, ponto estratégico no Golfo Pérsico. Segundo o presidente estadounidense, países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido deveriam enviar embarcações para proteger navios petroleiros que transitam pela região, enquanto as forças armadas dos Estados Unidos continuarão a bombardear locais de lançamento de drones, barcos e mísseis em território iraniano na costa norte do estreito.
Cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito transportados no mundo passa pelo Estreito de Ormuz, uma passagem marítima localizada entre o Irã e Omã. A recente escalada militar e os ataques contra alvos ligados às indústrias de energia e transporte marítimo na região provocaram forte alta nos preços internacionais do petróleo.
Estratégia militar
Para o historiador e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Murilo Meihy, o uso do petróleo como instrumento de pressão estratégica não é uma novidade em conflitos internacionais.
“O que estamos vendo é o desenvolvimento de uma guerra de desgaste, que utiliza ataques à economia global como forma de pressionar o grupo militar mais forte — Estados Unidos e Israel — a recuar em seu projeto de destruição do Irã”, afirmou o pesquisador ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.
A guerra entre Estados Unidos, Israel e Irã começou no dia 28 de fevereiro. O conflito teve início com ataques aéreos coordenados por forças dos EUA e Israel contra alvos militares e infraestruturas estratégicas no Irã.
*Com informações da AFP

