O presidente colombiano, Gustavo Petro, denunciou nesta segunda-feira (16) que seu país foi alvo de bombardeios vindos do Equador. A declaração foi dada após descoberta de uma bomba lançada perto da fronteira entre os dois países.
“Uma bomba lançada de um avião apareceu. Vamos investigar isso da maneira correta, mas na fronteira com o Equador, o que confirma um pouco das minhas suspeitas. Precisamos investigar bem, pois pretendem nos bombardear a partir do Equador e não são grupos armados”, declarou o presidente durante uma reunião do Conselho de Ministros.
Segundo Petro, uma guerra comercial entre os dois países está em curso desde janeiro, quando o presidente equatoriano, Daniel Noboa, anunciou a imposição de uma “taxa de segurança” de 30% sobre as importações colombianas, em resposta à suposta inação do governo vizinho contra o narcotráfico na fronteira.
A Colômbia respondeu com tarifas sobre 73 produtos e cortou o fornecimento de energia elétrica para o Equador, o que levou o governo Noboa a aumentar a tarifa cobrada pelo transporte de petróleo bruto colombiano que passam por dois oleodutos do país. Desde 1º de março, esse imposto foi elevado para 50%.
Em sua denúncia nesta segunda-feira, Petro afirmou que houve incidentes de explosões e disse que em breve divulgaria uma gravação que recebeu do governo equatoriano sobre o ocorrido. O presidente também pediu na semana passada que seu homólogo estadunidense, Donald Trump, interviesse junto ao presidente do Equador. “Porque não queremos entrar em guerra.”
“A soberania nacional é respeitada (…) A bomba está ativa, portanto é perigosa e precisamos tomar decisões sobre o caso”, declarou Petro.
Na semana passada, Equador e Estados Unidos chegaram a um acordo que formalizou a abertura do primeiro escritório do FBI (braço investigativo da Polícia Federal dos EUA) no país andino, que terá como objetivo apoiar o combate a grupos criminosos organizados internacionais.
Além da abertura do escritório, está sendo criada uma nova unidade policial que permitirá aos dois países fortalecer sua capacidade conjunta de identificar, desmantelar e levar à justiça aqueles que traficam drogas, lavam dinheiro, contrabandeiam armas e financiam o terrorismo, de acordo com informações fornecidas pela Embaixada dos Estados Unidos no Equador.
Este acordo complementa as operações militares conjuntas que os dois países iniciaram no começo do mês no Equador contra organizações terroristas, que bombardearam e destruíram um campo de treinamento dos Comandos da Fronteira, um grupo dissidente das guerrilhas colombianas desmobilizadas das FARC.
Noboa é muito próximo a Washington e seu país integra o chamado “Escudo das Américas”, uma aliança de 17 países do continente criada recentemente para enfrentar ameaças à segurança.
A Colômbia não faz parte do acordo anunciado por Trump, que deixou de ser um inimigo de Petro e se aproximou dele após uma reunião na Casa Branca em 3 de fevereiro.

