No centenário de Fidel, Brasil celebra a revolução e presta solidariedade ao povo cubano

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No dia 13 de agosto de 1926, há quase 100 anos, no pequeno povoado de Birán, em Cuba, nascia uma das maiores lideranças políticas de todo o mundo, aquele que muito jovem mudaria para sempre a história de seu povo. Com apenas 26 anos, Fidel Castro liderou, em 1953, o assalto ao Quartel Moncada, em Santiago de Cuba, episódio que daria início início ao processo revolucionário, culminando com a tomada do poder em 1959 pelos guerrilheiros.

O legado de Fidel foi o tema da exposição Fidel Da Sierra Maestra ao Mundo, que viaja pelos registros históricos da atuação política à frente da Revolução Cubana, e também de sua liderança mundial na defesa do socialismo. A mostra é parte de uma programação especial, organizada pelo movimento de solidariedade a Cuba em Brasília, para celebrar o centenário do eterno comandante da revolução cubana, como explica Pedro Batista, um dos organizadores da atividade.

“Ao longo de 2026 resgataremos o seu exemplo, a sua experiência, os seus ensinamentos, a sua força. O momento que Cuba atravessa nos dá maior obrigação e responsabilidade para defender a revolução cubana que Fidel sintetiza. Fidel é a síntese desse processo martiano, como ele costumava dizer. Então será ao longo do ano todo e nos dá uma maior responsabilidade diante dos ataques terroristas e fascistas que Trump impõe contra Cuba e o mundo”, afirma o militante internacionalista.

A atividade contou com uma oficina de bordado, apresentação de música e teatro e uma mesa de debates sobre as agressões contra o continente e o pensamento anti-imperialista do ex-presidente de Cuba, falecido em 2016, aos 90 anos, que segue atual, afirma o estudante Mava, diretor da União Nacional dos Estudantes (UNE).

“Ele costumava dizer que ele era uma pessoa com juventude acumulada. É muito importante ter esse pensamento hoje vívido, dessa empolgação jovem para a gente continuar conquistando, que historicamente é a juventude que vem travando os movimentos populares”, afirma o estudante.

Aprofundamento do bloqueio

O evento ocorre em um momento que o país passa por dificuldades graças ao aprofundamento do bloqueio dos Estados Unidos contra a ilha, como aponta a pesquisadora e professora do Núcleo de Estudos Cubanos da Universidade de Brasília (UnB), Gisele Carraro.

“Fidel foi uma liderança mundial muito importante e o grande legado que ele nos deixa até hoje é o legado da luta contra o imperialismo, da luta por um mundo melhor, livre de injustiças, livre da fome e do analfabetismo. O que movia Fidel em todas as suas ações era a solidariedade internacionalista e a sua contribuição foi para todos os países do mundo. Os países da América Latina, os países da África e os países do Oriente Médio, com as diferentes ações que Cuba desenvolve desde a década de 1960, após o triunfo da Revolução Cubana, no envio das brigadas médicas em todos os países. A medicina cubana é uma referência mundial, a educação, os melhores índices e indicadores de educação e cultura vêm de Cuba e são reconhecidos pelos organismos internacionais”, pontua.

Na atividade, houve espaços para a solidariedade prática. Maria Antonia organizou uma banca de coleta de remédios para enviar à ilha.

“Agora a ilha está cercada que eles não deixam entrar nem nada lá, nem água, nem remédio, nem comida, nada. Então nós estamos aqui também fazendo essa ação de arrecadação de remédios, que não é a primeira vez que fazemos. Estamos fazendo mais uma vez em solidariedade aos irmãos cubanos, aos heroicos irmãos cubanos, em solidariedade e sobretudo em agradecimento aos médicos cubanos e toda a solidariedade que Cuba sempre nos deu”, destaca a ativista.

Solidariedade aos povos do mundo

Por sua vez, o embaixador cubano no Brasil, Victor Cairo, disse que o ato dá inicio a uma jornada de celebrações do centenário de Fidel Castro no Brasil e em outras partes do mundo, e que culmina com uma grande atividade em Havana no mês de agosto para celebrar o aniversário do comandante. Para o diplomata, o atual contexto do mundo demanda o resgate do pensamento do líder da revolução cubana.

“Foi um ato muito emotivo onde pudemos constatar a solidariedade e o sentimento de irmandade e amizade que o povo brasileiro sente pelo povo cubano e pelo comandante em chefe Fidel Castro”, disse Cairo.

O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Cairo, durante a atividade de comemoração do centenário de Fidel Castro, em Brasília.
O embaixador de Cuba no Brasil, Victor Cairo, durante a atividade de comemoração do centenário de Fidel Castro, em Brasília.
| Crédito: Leonardo Fernandes

“Hoje, no contexto complexo em que estamos vivendo, onde o governo dos Estados Unidos pretende apoderar-se e tirar a soberania dos países da região, onde os países do Sul Global estão sendo ameaçados e agredidos pelos Estados Unidos, como é o caso do Irã. Hoje expressamos nossa mais sentida solidariedade e este ato se transformou nisso, em um ato de solidariedade não só com Cuba, mas com o restante das causas que hoje são agredidas pelos Estados Unidos, como Fidel nos ensinou, a lutar sempre pela humanidade, a lutar sempre pela solidariedade e a lutar sempre pela cooperação internacional contra a hegemonia e contra o imperialismo dos Estados Unidos”, completou o diplomata.

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