O relator da PEC Escala 6×1 na Câmara, Paulo Azi (União-BA), destacou que há três pontos fundamentais que permeiam a discussão sobre a redução da jornada e da escala de trabalho que serão considerados por ele em seu relatório. No “CNN Talks: O futuro do jornada de trabalho”, o congressista defendeu prudência nesse debate.
Segundo o deputado, o seu desafio será buscar uma solução que traga ganhos à classe trabalhadora ao mesmo tempo que não provoque uma “desordem” na economia brasileiratransformando esse ganho em prejuízo.
“Eu tenho alertado que o pior que pode acontecer nesse debate é a contaminação do discurso populista ou demagógico. O fato de se estar em um ano eleitoral aflora o desejo de ter – em uma pauta que é sabidamente popular – muitos querendo ter ganhos eleitorais com o discurso aparentemente fácil que nem sempre será o melhor para o nosso país”, declarou Azi no CNN Talks.
Diante desse cenário, o relator da PEC na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara dos Deputados destacou que vai considerar três pilares em seu relatório:
- Fortalecer o papel dos sindicatos para que a discussão das escalas se dê em acordos coletivos entre empregados e empregadores;
- Estabelecer um período de transição para que a alteração constitucional não seja implantada de forma imediata. Defende ser necessário a existência de um prazo para as empresas se adaptarem;
- Discutir a repercussão do fim da escala 6×1 na economia, no funcionamento das empresas, na geração de empregos e no aumento do custo de vida.
Para o congressista, caso o governo queira levar esse tema adiante, será necessário apresentar contrapartidas às empresas, como compensação na desoneração da folha de pagamentos ou isenção fiscal.
“Precisamos chamar atenção da sociedade e dos trabalhadores, para que isso seja algo construído coletivamente – tanto da classe trabalhadora quanto dos empregadores. Contudo, tenho consciência que esse passo não pode ser maior que as próprias pernas”, declarou no evento.
Contrapartidas
Sergio Firpo, professor de economia e coordenador do Observatório da Qualidade do Gasto Público do Inspertambém destacou que a mudança na jornada e na escala de trabalho precisa ser discutida de forma cautelosa e abordou a necessidade da adoção de contrapartidas.
Na avaliação do professor, o fim da escala 6×1 tende a aumentar a informalidade e a rotatividade. Em 2025, a taxa de informalidade encerrou em 38,1%em um contexto que o país registra a menor taxa de desocupação desde a série histórica iniciada em 2012.
De acordo com o professor, a classe trabalhadora que ganha pouco mais de um salário mínimo tende a ser substituída por profissionais que serão contratados pelo valor do piso constitucionalenquanto aqueles que atualmente recebem um salário mínimo deverão migrar para a informalidade.
“Os setores são diferentes. Vai ter setores em que esses custos dificilmente serão absorvidos”, disse no CNN Talks.
O professor ressaltou ainda que as empresas podem observar uma queda na sua produtividade, indicador que mede a eficiência na geração de valor econômico por trabalhador ou hora trabalhada.
“Não é garantido que, por ter trabalhadores mais descansados e com mais tempo de lazer, que vai ter ganhos de produtividade”, destacou.

