Neste sábado e domingo (21 e 22) , o Teatro Fernando Santa Cruz, localizado no Mercado Eufrásio Barbosa, no bairro do Varadouro, em Olinda, recebe a palestra-performance Ensaio sob.re o chãoda artista-pesquisadora Gabi Holanda. O projeto reúne dança, reflexão e audiovisual em uma proposta que atravessa corpo, memória e territórios marcados por conflitos socioambientais.
A programação inclui ainda a exibição do documentário Pranto, pedra, promessaampliando o diálogo entre arte e realidade a partir de experiências vividas em diferentes regiões de Pernambuco. A entrada é gratuita e a apresentação acontece no sábado, às 20h, e no domingo, às 17h,
O encontro propõe um espaço de troca entre a criadora e o público, convidando à imersão nos processos que deram origem à pesquisa. Corpo, palavra, imagem e memória se entrelaçam em uma experiência que tensiona questões como disputas por terra e água, impactos ambientais e modos de resistência construídos por comunidades afetadas por grandes projetos de desenvolvimento.
A criação parte da investigação intitulada Quando o chão vira céudesenvolvida por Gabi Holanda em diálogo com territórios atravessados por transformações profundas. Em Olinda, o trabalho se conecta às margens do Rio Fragoso, onde intervenções urbanas e obras de canalização intensificaram enchentes e processos de remoção. Já no Sertão, em Itacuruba, a pesquisa dialoga com os efeitos do deslocamento forçado provocado pela construção da Usina Hidrelétrica de Itaparica e com as ameaças atuais, como a possível instalação de um complexo nuclear na região.
Na cena, a artista constrói uma paisagem em movimento marcada por quedas, inversões e gestos que partem do contato com o chão. Pedras, projeções e deslocamentos espaciais compõem a dramaturgia, que investiga o corpo como lugar de escuta e o território como arquivo vivo de memórias. A proposta aproxima o centro do corpo ao centro da Terra, sugerindo outras formas de habitar o espaço e de produzir sentido a partir dele.
O documentário Pranto, pedra, promessaque integra a programação, aprofunda essas questões ao trazer registros realizados junto ao povo Tuxá Pajeú, em Itacuruba. A obra reúne depoimentos, imagens do território e cenas performativas para revisitar a história da cidade submersa pela barragem de Itaparica e os desdobramentos desse processo. Entre lembranças, promessas de progresso e novas ameaças, o filme evidencia as marcas deixadas sobre corpos, paisagens e modos de vida, ao mesmo tempo em que afirma a permanência das memórias e das lutas.
Com incentivo do Funcultura, a ação reafirma a arte como prática política e relacional, propondo uma escuta sensível dos territórios e das histórias que insistem em permanecer, mesmo diante de apagamentos.

