Servidores da assistência social do DF decidem manter greve por tempo indeterminado

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Os trabalhadores da assistência social do Distrito Federal decidiram por unanimidade, em assembleia realizada nesta quinta-feira (26), pela continuidade da greve. A categoria, organizada pelo Sindicato dos Servidores da Assistência Social e Cultural do DF (Sindsasc), está paralisada há duas semanas e afirma que o movimento segue fortalecido.

Mesmo com a pressão do Governo do Distrito Federal (GDF) e decisões judiciais sobre o efetivo mínimo, os servidores decidiram manter os braços cruzados até que uma proposta formal seja apresentada.

A mobilização busca dar visibilidade a uma carreira que atende mais de 1 milhão de pessoas em todo o DF, atuando na linha de frente de equipamentos como os Centros de Referência de Assistência Social (Cras) e Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas).

Segundo o comando de greve, a manutenção do movimento se justifica pela ausência de propostas concretas que atendam aos 19 itens da pauta de reivindicações apresentada ainda em janeiro de 2025.

Descaso

Para o presidente do Sindsasc, Clayton Avelar, a história da categoria demonstra que o diálogo com a atual gestão só acontece sob pressão. Ele destaca que o governo tem sido resistente em apresentar contrapropostas reais, limitando-se a reuniões que não resultam em avanços. “Nós infelizmente não conseguimos nada que não fosse por greve. A gente sempre se esforçou para ter um diálogo, mas o governo não nos recebia.”

Avelar aponta que existe um tratamento discriminatório por parte do governador Ibaneis Rocha (MDB), que estaria beneficiando outras categorias e esquecendo da assistência social. “Ele beneficia categorias que têm um alcance social muito inferior ao nosso. Nós somos a carreira que tem o maior volume de atendimentos no DF. Só em 2025, foram mais de 240 mil famílias atendidas.”

De acordo com o dirigente, a expectativa agora recai sobre a transição de governo, esperando que a futura governadora Celina Leão (PP) adote uma postura mais aberta à negociação.

Desvalorização

A servidora Cléria Nunes, agente social da Unidade de Proteção Social (UPS) 24 horas, reforça o sentimento de desvalorização que atinge os profissionais. Ela destaca que a categoria é importante para garantir os direitos das famílias mais vulneráveis, mas não recebe o devido reconhecimento dos governantes.

“Nós estamos aqui lutando pelos nossos direitos. O governo está bem resistente, inclusive concedendo benefícios a outras carreiras e nos deixando de fora.”

Um dos pontos centrais da greve é a Gratificação por Habilitação (GH), um pedido que Nunes considera urgente para a valorização dos servidores. A categoria questiona o fato de que 27 outras carreiras do GDF já possuem esse direito, enquanto a assistência social segue sendo a exceção. “A gente quer ser respeitado. Somos essenciais e queremos sair do papel. As famílias que atendemos são sujeitos de direito e fazemos o máximo para que isso seja respeitado.”

Impasse nas negociações

Maisa Guimarães, que faz parte da diretoria do Sindsasc e é servidora da Secretaria da Mulher, explica que, embora tenham acontecido reuniões recentes com a Secretaria de Economia, não houve progresso. Segundo ela, o governo tem apresentado apenas promessas vazias, utilizando a transição política como justificativa para a falta de definições. “Independentemente de quem seja o governante, precisamos de uma resposta do Estado.”

Atualmente, a categoria trabalha com seis itens prioritários, divididos entre demandas com e sem impacto financeiro. Além da GH, a pauta inclui a redução da jornada para 7 horas corridas, o que ajudaria a combater o alto índice de adoecimento na carreira.

Guimarães destaca que o movimento está cumprindo a decisão judicial de manter uma parcela dos serviços funcionando, mas que a mobilização continuará. “A greve não é considerada ilegal pelo Tribunal de Justiça, o que é um ponto importante para nossa luta. Seguimos em luta até conseguir o que precisamos.”

Cenário de insegurança

Os relatos de quem atua nas unidades mostram um cenário de precariedade e insegurança. Algumas dessas unidades sofrem com a falta de ventilação e equipamentos quebrados, afetando o atendimento ao público. “Os usuários chegam a passar mal na unidade de tanto calor. Nós, servidores, tiramos do próprio bolso para comprar ventiladores de mesa.”

Além da infraestrutura, a violência constante contra os servidores é uma preocupação que vem crescendo. O sindicato afirma que o governo esconde a real situação do serviço social, divulgando números altos de atendimentos, mas ignorando que os profissionais trabalham acima da capacidade e em condições de risco.

A proposta de criar um grupo de trabalho para discutir a segurança nas unidades e a reestruturação da carreira, transformando cargos técnicos em analistas, é um dos poucos pontos que teve sinalização positiva, mas ainda sem implementação.

Próximos passos

Com a decisão da assembleia desta quinta-feira (26), os servidores já têm um calendário definido para os próximos dias. Na segunda-feira (30), será realizado um ato na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), coincidindo com a posse de Celina Leão no cargo deixado pelo então governador Ibaneis Rocha. A mobilização pretende aproveitar o momento político para levar as reivindicações e pressionar por uma resposta definitiva do Executivo.

Uma nova assembleia geral está marcada para a próxima terça-feira (31), onde a categoria voltará a avaliar o movimento e possíveis novas propostas. Até lá, os servidores prometem unir a luta com outras categorias que também estão em greve, buscando fortalecer a pressão sobre o GDF. “A greve segue forte e com participação expressiva. Não vamos abrir mão dos itens com impacto financeiro, pois eles são indispensáveis para a nossa sobrevivência e valorização.”


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