Relator da CPMI do INSS pede indiciamento de 216 pessoas e inclui ex-ministros

Publicada em

O relator da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga os desvios no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) pediu nesta sexta-feira (27) o indiciamento de 216 pessoas, incluindo o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e ex-ministros, deputados e senadores. Alfredo Gaspar (União Brasil‑AL) começou a ler o relatório, que tem de ser votado até este sábado (28). A comissão ainda vai decidir se aprova ou não os pedidos feitos por Gaspar.

O relator apontou Vorcaro como responsável pela falha em fiscalizar as fraudes do negócio. Gaspar também pediu o indiciamento de ex-integrantes do governo, como José Carlos Oliveira, que foi ministro do Trabalho e Previdência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Ele foi indicado como “facilitador e beneficiário” de uma rede criminosa que atuava na administração previdenciária.

Outro mencionado foi Leonardo Rolim, ex‑presidente do INSS, também no governo Bolsonaro. Ele teria tomado decisões que prejudicaram a fiscalização, aumentando o esquema de descontos indevidos.

José Sarney Filho, conhecido como Zequinha Sarney, também aparece no relatório. Ex‑deputado federal e ex‑ministro do Meio Ambiente nos governos Fernando Henrique Cardoso e Michel Temer, ele foi indicado pelo relator como beneficiário de repasses milionários, além de ter vinculado seu patrimônio pessoal ao operador financeiro das entidades associativas que cometeram as fraudes.

O texto ainda cita dois deputados e um senador em exercício: Euclydes Pettersen (Republicanos‑MG), Gorete Pereira (MDB‑CE) e Weverton Rocha (PDT‑MA). O primeiro é deputado, foi uma “liderança política” e o principal beneficiário da organização ligada à Confederação Nacional dos Agricultores Familiares (Conafer).

Pereira é deputada e é indicada como “procuradora estratégica” e articuladora política na organização que realizou as fraudes. Já o senador Weverton Rocha é apontado por Gaspar como um agente de atuação estratégica como liderança política e suporte institucional da organização criminosa.

O ex-ministro da Previdência, Carlos Lupi, também foi indiciado no relatório por “omissão deliberada”, prevaricação e blindagem política de agentes instalados na cúpula do INSS. Ele deixou o governo em 2025, justamente no início das investigações sobre as fraudes no INSS, após pressão interna. Foi substituído por Wolney Queiroz.

O documento ainda cita outros ex-integrantes do Ministério da Previdência, dirigentes do INSS e membros de entidades financeiras. Um dos nomes mais famosos é o de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. As investigações da Polícia Federal apontam ele como operador do esquema de descontos indevidos.

As citações e investigações também respingam em Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha. Ele é empresário e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O relator afirma que ele teria recebido repasses do “Careca do INSS” por meio da empresária Roberta Luchsinger, uma amiga de Lulinha.

Lula já afirmou que é preciso investigar a todos os envolvidos no esquema e que, se seu filho estivesse envolvido, também deveria ser punido por isso.

A comissão também aprovou 1.027 quebras de sigilo que atingem 649 pessoas físicas e jurídicas. O relatório tem, ao todo, 4.340 páginas.

Prorrogação?

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (26) derrubar a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Com a decisão, os trabalhos da comissão deverão ser encerrados no próximo sábado (28). A votação foi finalizada com placar de 8 votos a 2 contra a prorrogação.

Na última segunda-feira (23), Mendonça, que é relator do caso, deu prazo de 48 horas para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União – AP), fazer a leitura do requerimento de prorrogação dos trabalhos da CPMI.

O ministro atendeu ao pedido de liminar feito pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo o senador, há omissão de Alcolumbre e da Mesa Diretora ao não receberem o requerimento de prorrogação.

Mais cedo, diante da inércia de Alcolumbre, Viana cumpriu a decisão individual do ministro e prorrogou a CPMI por até 120 dias.

Source link