Em Pernambuco, PT confirma apoio a João Campos e completa ‘chapa lulista’ para 2026

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O diretório estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) aprovou a aliança com a Frente Popular como tática eleitoral para o pleito deste ano. Após a reunião que selou a definição, na tarde deste sábado (28), o partido realizou um ato de lançamento da pré-candidatura do senador Humberto Costa para a reeleição, ao lado do prefeito do Recife e pré-candidato ao Governo do Estado, João Campos (PSB); do pré-candidato a vice, Carlos Costa (Republicanos); e da ex-deputada federal Marília Arraes (PDT), também pré-candidata ao Senado, compondo a chapa com Humberto.

Em um auditório lotado de militantes petistas de diversas correntes, figuras do PSB já se faziam presentes, antes mesmo da votação no diretório. A espera acabou pouco depois do meio-dia, quando o senador Humberto Costa (PT) entrou no auditório acompanhado de João Campos, Marília Arraes, Carlos Costa e outras lideranças da Frente Popular. O petista teve sua trajetória apresentada em vídeo em um telão. “A minha história se confunde com a história do PT, o único partido da minha vida e onde permaneci nos maus e bons momentos.Me honra ter novamente o respaldo deste partido”, discursou o senador.

Ao falar sobre a aliança, Humberto exaltou as posições recentes do partido e do próprio João Campos como presidente nacional da sigla. “O PSB anunciou desde a primeira hora que estariam juntos com Lula. (…) O PSB faz parte do nosso governo, tem o vice-presidente e ministérios importantes, foi crucial para barrar a extrema-direita. O que seria do país sem essa aliança, se perdêssemos a eleição?!”, indagou Humberto. Ele lembrou as alianças locais em 2022, 2018, 2010, 2006 e até antes. “Em 2000 (quando João Paulo, do PT, venceu para prefeito do Recife), no 2º turno Miguel Arraes declarou que ‘se o PT quiser ou não quiser, eu vou apoiar o PT’. O PT quis e vencemos”, lembrou Costa.

O senador Humberto Costa (PT) teve a confirmação, pelo partido, de que sua candidatura à reeleição se dará na chapa da Frente Popular, liderada por João Campos (PSB)
O senador Humberto Costa (PT) teve a confirmação, pelo partido, de que sua candidatura à reeleição se dará na chapa da Frente Popular, liderada por João Campos (PSB) | Crédito: Vinícius Sobreira / Brasil de Fato

Também houve elogios do petista à gestão de Campos no Recife. “João, você já mostrou que é possível fazer sempre mais. Você governa com visão de futuro, garante lazer e preservação do meio ambiente”, afirmou Humberto Costa, elencando obras do município dos últimos cinco anos. João Campos retribuiu os gestos. “Agradeço por esta parceria. Você é uma pessoa correta, íntegra, que tem lado, posição e que joga dentro de um time”, discursou o prefeito do Recife e pré-candidato a governador. “Quando assumi a presidência do PSB, fiz questão de afirmar que em quaisquer circunstâncias, o PSB seria o primeiro partido a declarar apoio ao presidente Lula”, pontuou.

Para o auditório com centenas de militantes do PT, João Campos fez questão de passar uma borracha no passado, sem necessariamente se desculpar pela campanha antipetista realizada no 2º turno de 2020, quando associou o partido à corrupção e apelou ao conservadorismo religioso para atacar a sua agora aliada Marília Arraes (à época no PT). “Fui questionado pela imprensa: a chapa não está muito lulista? E eu disse: ainda bem, porque eu sou lulista e não tenho nenhum problema em afirmar isso”, discursou. “Seremos uma coerência de campo político”, completou Campos. “O lado do PT e do PSB é o lado das causas populares do povo de Pernambuco”.

O pré-candidato a governador saudou todo o diretório estadual e tentou acalmar os petistas que ainda nutrem desconfianças em relação ao PSB, cumprimentando nominalmente o ex-deputado federal Fernando Ferro (PT), que votou contra a aliança. “A Frente Popular estará presente em todas as cidades e estaremos de forma unida, com esse time que sabe onde quer chegar. (…) Fico feliz com o time que construímos. Tenho certeza que nós teremos a maior votação numa eleição para dois senadores em Pernambuco. Teremos uma eleição vitoriosa, que vai demarcar um campo político no estado”, afirmou Campos.

João Campos (PSB) em evento de adesão do PT à Frente Popular e apoio à sua candidatura em 2026
João Campos (PSB) em evento de adesão do PT à Frente Popular e apoio à sua candidatura em 2026 | Crédito: Vinícius Sobreira / Brasil de Fato

Outro gesto veio de Silvio Costa Filho (Republicanos). O ministro dos Portos e Aeroportos pleiteava para si uma candidatura ao Senado na chapa, mas acabou tendo que se contentar com a indicação do irmão Carlos Costa para vice-governador. “Humberto, estamos muito felizes de estar ao seu lado. O que o Republicanos puder fazer para vê-lo novamente eleito senador da República, nós vamos fazer”, saúdou. “Você não é ‘do PT’, você é o Humberto da defesa da democracia, o que esteve ao lado do presidente Lula nos momentos mais difíceis”, exaltou Costa Filho.

O ministro também destacou o compromisso com Marília Arraes (PDT). “Pernambuco terá, pela primeira vez, duas senadoras”. Costa também cumprimentou Fernando Ferro e seu próprio pai, o ex-deputado federal Silvio Costa, destacando sua atuação em defesa da ex-presidente Dilma Roussefff (PT). Outra ministra no evento, Luciana Santos (PCdoB), que ainda não definiu se disputará o pleito deste ano, exaltou a unidade da Frente Popular. “É preciso ter coesão e nitidez política. Pernambuco mais uma vez está acertando o rumo com essa chapa. E aqui daremos mais uma grande votação ao presidente Lula”.

Companheira de bancada de Humberto no Senado, Teresa Leitão (PT) destacou que a luta ideológica será central na eleição deste ano. “Vamos travar uma guerra política pela opinião, pelos preceitos que nós sempre defendemos. Queremos disputar o voto, mas precisamos recheá-lo com a defesa do projeto político que Pernambuco e o Brasil precisam, da defesa da soberania, do desenvolvimento sustentável, do combate à misoginia e à escala seis por um”, pontuou Leitão. “Faremos a defesa de quem mais precisa das políticas píublicas, que são os mais pobres”. A petista conclui que “essa é uma eleição de campo político, que exige posição na disputa de projetos”.

“Humberto roeu o osso”

Marília Arraes (PDT), ex-deputada petista, volta a evento do partido, agora como pré-candidata ao Senado pelo PDT
Marília Arraes (PDT), ex-deputada petista, volta a evento do partido, agora como pré-candidata ao Senado pelo PDT | Crédito: Vinícius Sobreira / Brasil de Fato

Sua futura companheira de chapa para o Senado, mas alvo de desconfianças de caciques petistas, Marília Arraes (PDT) disse que estará “feliz de saber que estarei ao seu lado a partir do ano que vem. Aqui não há divisão: onde a gente estiver, estaremos juntos”. Arraes também lembrou a eleição de 1998, quando seu avô Miguel foi derrotado na tentativa de reeleição. “Antes de ter título de eleitor eu já fiz campanha para você, Humberto. Você disputou o Senado e o PT esteve com Miguel Arraes naquela eleição duríssima”, resgatou. Teresa Leitão lembrou que “Humberto roeu o osso para representar o PT em disputas indigestas”.

O presidente estadual do PT, o deputado Carlos Veras, exaltou a história do senador e disse que ele “é o melhor jogador do nosso time. E o jogo começa agora”. A prefeita de Serra Talhada, principal município gerido pelo PT no estado, disse ao Brasil de Fato que tem “certeza de que a trajetória de Humberto será reconhecida. Nos 16 anos como senador ele contribuiu com todos os municípios pernambucanos”, avaliou Márcia Conrado. Questionada sobre a força de Miguel Coelho (União Brasil) no Sertão, a gestora preferiu evitar análises sobre os prefeitos vizinhos. “Todos têm seu espaço. Mas nós estamos com o palanque de Lula”, garantiu Conrado.

Adesão ao PSB não é unânime

Na reunião do diretório estadual estava em pauta uma tese de adesão à Frente Popular com uma orientação de apoio exclusivo à pré-candidatura de João Campos (PSB). “A decisão do diretório estadual do PT Pernambuco sobre as eleições para o Governo do Estado, a qual considera ainda a importância de unir o campo democrático e popular do Estado no enfrentamento à extrema-direita (…) aprova o apoio à pré-candidatura a governador de João Campos, do Partido Socialista Brasileiro, ao Governo de Pernambuco, com Humberto Costa Senador”, diz a resolução.

Militância do PT de Pernambuco lotou auditório do Centro de Convenções no ato de confirmação da candidatura à reeleição do senador Humberto Costa (PT) na chapa encabeçada por João Campos (PSB)
Militância do PT de Pernambuco lotou auditório do Centro de Convenções no ato de confirmação da candidatura à reeleição do senador Humberto Costa (PT) na chapa encabeçada por João Campos (PSB) | Crédito: Vinícius Sobreira / Brasil de Fato

O diretório estadual do PT tem 80 membros. Destes, quatro não participaram da votação, um se absteve, 63 (84,2%) foram favoráveis e 12 (15,8%) votaram contra a resolução. Neste grupo contrário, estavam nomes como o ex-deputado federal Fernando Ferro; o vice-presidente estadual do PT, Pedro Alcântara; e nomes ligados a Osmar Ricardo, presidente municipal do PT Recife, que não quis participar do ato político. O grupo defendia que o partido deixasse seus filiados livres para construir também campanhas de outros pré-candidatos ao governo que apoiam Lula, como Ivan Moraes (Psol) e – caso ela tome posição – da governadora Raquel Lyra (PSD).

O ex-deputado Fernando Ferro falou com o BdF após o evento. “O PT definiu esse caminho, mas na prática militantes do partido farão campanha também noutras chapas. O PT está rachado em relação a isso”, explicitou Ferro, contrariando o discurso de Humberto de que “quando o PT entra numa empreitada, entra de forma integral”. Três dos cinco deputados estaduais do PT são da base do governo Raquel Lyra na Alepe e alguns dos prefeitos petistas no estado também declararam apoio à governadora.

Ele, que pretende disputar novamente uma vaga na Câmara Federal, considera que “se dissemos que Lula é prioridade, precisamos sinalizar para ampliar o palanque dele no estado. A eleição será muito dura e qualquer 2% ou 3% fará diferença”. Neste sentido, o experiente petista considerou “ótimo” o tom do discurso de Humberto Costa. “É importante ele não esquecer que também tem votos no lado de Raquel. Se for para fazer certos ataques, é bom ele avaliar como fazer, porque a disputa não será fácil. Hoje ele evitou”, avaliou o ex-deputado.

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