Debate sobre desinformação, concentração de poder nas plataformas digitais e o papel da mídia tradicional no avanço da extrema direita marcaram, neste sábado (28), em Porto Alegre, a abertura da Caravana do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), realizada durante a 1ª Conferência Internacional Antifascista pela Soberania dos Povos. O encontro foi a primeira parada de uma mobilização nacional que percorrerá 10 cidades brasileiras ao longo de 2026.
O auditório da Associação Riograndense de Imprensa (ARI) ficou lotado. A caravana faz parte de uma estratégia de fortalecimento da sociedade civil organizada em torno do direito humano à comunicação no país.
A abertura cultural contou com apresentação do músico Zé Martins, do grupo Unamérica, que cantou a música Pealo de Sangue, de Raul Ellwanger, músico gaúcho exilado durante a ditadura militar. Também interpretou canções como Canción con todos (Julio César Isella e Armando Tejada Gómez), além de versões em português de Bella Ciao e El pueblo unido jamás será vencido, de Sergio Ortega, símbolo da Unidade Popular chilena.

A programação incluiu o debate “O papel da comunicação hegemônica a serviço do fascismo”, com participação da jornalista Katia Marko, coordenadora-geral do FNDC, representando o Núcleo Piratininga de Comunicação (NPC), vice-presidenta do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS (SindJoRS) e editora-chefe do Brasil de Fato RS, da antropóloga Letícia Cesarino, professora da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), do jornalista Federico Pita, editor do Página 12 (Argentina) e integrante da Diáspora Africana da Argentina (Diafar), do sociólogo Sérgio Amadeu, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC), e de Diego Marques, diretor de imprensa e divulgação do Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN) e professor da Universidade Federal da Bahia (UFBA).
Na sequência, a mesa “Propostas para soberania nas comunicações” contou com a secretária-geral do FNDC, representado o Diracom, e professora da Universidade Federal do Ceará, Helena Martins, Ergon Cugler, do Barão de Itararé e conselheiro da Presidência da República no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável, Admirson Medeiros Ferro Júnior (Greg), representante da relatoria de Inteligência Artificial do Conselho Nacional de Direitos Humanos, Mateus Azevedo, primeiro secretário executivo do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul (SindJoRS), José Nunes, presidente da ARI, e o historiador Walter Lippold, integrante do Coletivo Fanon.
Unidade política e mobilização pela democratização da comunicação
A coordenadora-geral do FNDC, Katia Marko, destacou que a caravana tem como objetivo fortalecer a articulação entre diferentes setores na luta pelo direito à comunicação. Segundo ela, a iniciativa busca promover debates e construir, de forma coletiva, alternativas ao modelo hegemônico. “Se tem algo que podemos afirmar a partir desta conferência em Porto Alegre é que, para vencer o fascismo, precisamos de unidade. Unidade dos antifascistas, de todos que acreditam que este não é o mundo que queremos.”
De acordo com Marko, a caravana pretende reunir vozes que se posicionam contra o fascismo, os monopólios da comunicação e o que classificou como “ditadura das big techs”. A escolha de Porto Alegre como ponto de partida está relacionada à realização da Conferência Internacional Antifascista, vista como uma oportunidade de ampliar o alcance do debate com a presença de participantes de diferentes estados e países.
A jornalista também anunciou que a caravana percorrerá outras dez cidades brasileiras ao longo do ano. A próxima parada será em Belém (PA), prevista para o final de abril. “Nada melhor do que discutir a comunicação e como essa visão fascista de mundo vem se consolidando no país, com contribuição da grande imprensa e das plataformas digitais”, afirmou.
Big techs, algoritmos e controle da visibilidade
O professor Sérgio Amadeu abriu o debate analisando o funcionamento das redes digitais e o poder das big techs no atual ecossistema de comunicação. Segundo ele, embora a internet tenha ampliado as possibilidades de expressão, isso não significou, necessariamente, maior democratização. “Na internet, o difícil não é falar, é ser ouvido”, afirmou, destacando que a visibilidade é controlada dentro de uma economia de rede que tende ao monopólio.
Para Amadeu, plataformas como Meta e Google concentram a atenção global e exercem um poder sem precedentes ao controlar a distribuição de conteúdos por meio de algoritmos invisíveis. Esses sistemas definem o que será visto, por quem e com que frequência, a partir da coleta massiva de dados e da construção de perfis comportamentais. “Não há um alargamento da realidade, mas um encurtamento.”
O professor também alertou para a capacidade dessas plataformas de interferir diretamente no debate público e em processos eleitorais. Segundo ele, ao controlar a circulação e a visibilidade de conteúdos, as empresas podem reduzir o alcance de determinadas vozes, inclusive de candidaturas. “Vocês acham que eles não podem bloquear candidaturas ou reduzir a visualização das forças de esquerda?”, questionou. Para ilustrar ele citou episódios como o da Colômbia, onde perfis de candidatos de esquerda chegaram a ser retirados do ar durante o período eleitoral.
Amadeu também relacionou o poder das big techs ao campo geopolítico e militar, mencionando a Faixa de Gaza como exemplo do uso de dados e sistemas algorítmicos na definição de alvos em conflitos contemporâneos. “Sem regulação, há violação da liberdade de expressão”, afirmou, defendendo a necessidade de controle democrático sobre as plataformas e a criação de alternativas ao modelo atual.
Ao final, associou esse processo ao avanço do que chamou de “tecnofascismo” e citou o empresário Peter Thiel como exemplo de influência nesse campo, defendendo uma concepção de liberdade vinculada à igualdade.

Eleições, hegemonia e plataformas digitais
A antropóloga Letícia Cesarino avaliou que o Brasil enfrentará eleições decisivas em um cenário de avanço da comunicação hegemônica alinhada ao fascismo. Segundo ela, já há sinais de atuação da grande mídia na tentativa de normalizar candidaturas associadas ao bolsonarismo. “Parte da mídia tem se deslocado para sanitizar uma candidatura a Flávio Bolsonaro, inclusive com a retirada do sobrenome das manchetes”, afirmou.
Citando autores como Steven Levitsky e Marco Nobre, além de exemplos internacionais como Viktor Orbán, Narendra Modi e Donald Trump, Cesarino pontuou que é nos segundos mandatos que se aprofundam processos de erosão democrática. Ainda no campo político, apontou a convergência entre big techs e governos de extrema direita, impulsionada por disputas geopolíticas e pela expansão das empresas.
“Eles vão fazer o que for preciso, inclusive interferir em eleições, porque podem”, disse, mencionando práticas como shadowban. Também conhecido como shadow banning ou stealth banning, é uma prática em que uma plataforma de mídia social limita a visibilidade de um usuário ou de suas postagens sem notificar diretamente o usuário sobre a penalidade. Isso significa que o conteúdo do usuário é “escondido” dos outros usuários, especialmente aqueles que não o seguem, reduzindo drasticamente o alcance e o engajamento.
A professora destacou ainda a chamada “bolha da inteligência artificial”, associada ao crescimento de empresas como NVIDIA e OpenAI, que buscam se tornar indispensáveis à economia e à estratégia global dos Estados Unidos. Para ela, o avanço do fascismo altera a lógica tradicional da hegemonia, mobilizando afetos difusos, medo, ressentimento e insegurança, contra inimigos construídos, com as plataformas digitais funcionando como infraestrutura central desse processo. “Elas ocupam o espaço da nossa mente estendida.”
Ao abordar caminhos de enfrentamento, indicou três frentes: a disputa política nas próprias plataformas, combinada com organização offline, a regulação, apesar das limitações, e, sobretudo, a construção de alternativas no campo da soberania digital.
Para Cesarino, a criação de infraestruturas digitais alternativas é um caminho estratégico de longo prazo e mais viável do que parece. “As pessoas não conseguem imaginar um mundo fora das big techs, mas essas alternativas já existem”, concluiu.
Racismo, colonialidade e comunicação
Participando de forma virtual, o jornalista argentino Federico Pita propôs uma leitura histórica do fascismo relacionada ao racismo e à comunicação hegemônica. Segundo ele, o fascismo não deve ser entendido como uma anomalia ou um acidente da democracia, mas como parte de um processo mais amplo ligado à formação do mundo moderno. “O fascismo é uma forma intensificada de uma ordem que já existia no capitalismo moderno.” Na avaliação do jornalista essa análise precisa considerar a dimensão racial dessa construção histórica.
Para ele, esse processo remonta à expansão colonial europeia, que não produziu apenas dominação econômica, mas também uma narrativa que organizou o mundo em termos de hierarquia racial. No caso da Argentina, destacou que essa lógica se consolidou na formação do Estado nacional, com políticas que privilegiaram a imigração europeia, como previsto na Constituição de 1853. “A Argentina se narrou como branca”, enfatizou, classificando essa construção como uma tecnologia de exclusão e apagamento.
Segundo Pita, padrões de exclusão racial se consolidaram na Argentina e seguem ativos no presente, sob governos como o de Javier Milei. Ele criticou setores progressistas por não colocarem o racismo no centro das análises. “O racismo não é residual, é estrutural.”
O jornalista ressaltou ainda estratégias discursivas globais para desorganizar o campo antirracista, como a equiparação entre antissionismo e antissemitismo. Citou figuras como Donald Trump como parte de um ecossistema em que convivem nacionalismo branco, autoritarismo e discursos conspiratórios.
Ao concluir, Pita destacou que o fascismo também opera no plano das sensibilidades sociais e que a comunicação hegemônica é um de seus principais instrumentos. “Se não desarmarmos a arquitetura que sustenta esse dispositivo, a crítica ao fascismo corre o risco de ficar na superfície.”

Tecnologia, crise e disputa de futuro
Encerrando a primeira mesa, Diego Marques relacionou fascismo, tecnologia e comunicação, retomando reflexões de Walter Benjamin sobre o surgimento do fascismo e as revoluções técnicas associadas aos conflitos. A partir dessa leitura, argumentou que momentos de intensificação de conflitos estão historicamente associados a revoluções tecnológicas.
Ele citou como exemplo a Primeira Guerra Mundial, marcada pelo impacto de inovações nos transportes e na indústria, e destacou que, já nos anos 1930, Benjamin identificava uma nova transformação em curso, com o avanço da radiodifusão, do cinema e das primeiras tecnologias de processamento de dados. “Esse paralelo ajuda a compreender o presente. Onde há fumaça de guerra, há uma revolução da técnica em curso”, sintetizou.
Segundo Marques, hoje as dez maiores empresas globais de tecnologia representam cerca de 6% do PIB mundial, sendo que Alphabet e Meta concentram 70% desse total. Ele chamou atenção para o peso das infraestruturas tecnológicas nesse processo. “A gente olha muito para as plataformas, para o que está na nossa mão, mas esquece toda a cadeia produtiva e as redes que tornam isso possível.”
Marques comparou esse setor com a comunicação tradicional e destacou a diferença de escala. Enquanto as grandes empresas de tecnologia concentram uma parcela significativa da economia global, o conjunto da mídia convencional, incluindo radiodifusão, jornalismo e streaming, representa menos de 1% do PIB mundial. “Não estamos diante de uma simples transição de linguagem ou de modelo. Estamos diante de uma revolução material da técnica”, afirmou.
O professor também ligou as tecnologias à coleta de dados e à modulação comportamental em contextos estratégicos, inclusive militares. “O fascismo, nesse contexto, deixa de ser apenas uma opção ideológica e passa a ser uma necessidade para a reprodução do sistema”, afirmou, relacionando o fenômeno à crise climática e ao tecno-solucionismo, que exclui parcelas da população para garantir privilégios a outras.
Ele concluiu ressaltando que o enfrentamento passa pelo entendimento crítico das tecnologias e pela capacidade de construir usos sociais alternativos. “Se existe alguma brecha, ela está na nossa capacidade de imaginar e construir outros usos sociais para essas tecnologias. Se a gente não acelerar a marcha, a história pode acabar nos atropelando.”
Histórico e perspectivas

Na mesa “Propostas para soberania nas comunicações”, Helena Martins iniciou sua fala resgatando a trajetória do FNDC e a atuação de rádios comunitárias e da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Martins lembrou que propostas consideradas radicais hoje chegaram a ser defendidas naquele contexto. “A Fenaj chegou a defender a nacionalização dos sistemas de comunicação. Isso mostra que o alcance das nossas pautas depende do contexto histórico. Era um momento de reabertura democrática, com uma radicalidade de tentar tirar o setor privado de um campo considerado estratégico.”
Segundo ela, prevaleceu o avanço da privatização, não só da radiodifusão, mas de todo o complexo das comunicações. Ao conectar o debate histórico com o cenário atual, Martins defendeu a necessidade de ampliar horizontes políticos e conceituais. “Precisamos pensar caminhos para outra comunicação, outra radiodifusão, outra internet, algo que talvez ainda nem saibamos qual formato terá.”
Ela reforçou que soberania não é replicar modelos existentes, mas ter capacidade de decisão e imaginação sobre educação, cultura e tecnologia. “Queremos mobilizar as pessoas para movimentar essa ação política junto com uma imaginação política transgressora. O desafio é enorme, e a nossa capacidade de formulação também precisa ser.”
Soberania digital e disputa dentro do Estado
O conselheiro da Presidência no Conselho de Desenvolvimento Econômico Social Sustentável Ergon Cugler pontuou que o debate sobre tecnologia também ocorre dentro do governo. “É um espaço de disputa política. Ao mesmo tempo em que temos militantes dos direitos digitais, também temos representantes de big techs como Amazon, Microsoft e Google.”
De acordo com ele, a presença dessas empresas revela a complexidade da correlação de forças. “Não é porque temos um governo progressista que a correlação será progressista. As big techs estão infiltradas no alto escalão.”
Cugler criticou diferentes concepções de soberania digital. Conforme apontou, há quem ache que basta melhorar contratos ou instalar data centers no país. “Mas isso não nos garante soberania. Mesmo com infraestrutura nacional, pode haver captura pelo setor privado.”
Diante disso, defendeu o conceito de soberania digital popular. “A tecnologia precisa estar a serviço do povo e sob controle do povo.” Para isso, propôs cinco pilares: institucional, estrutural, democrático, cognitivo e ético-civilizatório. No campo institucional, destacou a necessidade de regulação. “Sem regulação do ambiente digital, não saímos do zero.”
Cugler alertou ainda para o poder econômico das plataformas. Segundo ele, as principais big techs acumulam trilhões e usam esse poder para influenciar legislações. “O Brasil já pagou pelo menos R$ 23 bilhões em softwares estrangeiros, em vez de investir em tecnologia própria.”
Tecnologias, colonialismo e alternativas populares
O historiador Walter Lippold, do Coletivo Fanon, relacionou tecnologia com processos históricos de dominação e resistência. “A radiodifusão, que servia ao colonialismo francês, foi transformada em ferramenta de luta anticolonial”, disse. Segundo ele, a tecnologia deve ser entendida como campo de disputa. “A tecnologia não é da Europa. É nossa também. Podemos reapropriá-la e transformá-la.”
Ele defendeu aproximação entre movimentos sociais e debate tecnológico. “Queremos que hackers estudem Fanon e que os movimentos populares se apropriem dessas questões.” Entre as propostas, destacou o hackativismo popular e a autodefesa digital. Para o historiador não é mais possível organizar lutas em plataformas proprietárias sem questionamento. Neste sentido citou experiências concretas, como clubes hackers e iniciativas de tecnologia livre em periferias e movimentos sociais. “Temos alternativas. Não é só desesperança.”
Ele criticou o modelo de negócio das plataformas digitais, baseado na extração e monetização de dados. “A desinformação não é um erro. É parte central desse modelo. Nossos dados são coletados, processados e vendidos para segmentação de anúncios.”
O historiador também apontou o desequilíbrio de poder na disputa por narrativas. “Nos últimos quatro dias da campanha de Bolsonaro, a última que ele perdeu, foram investidos R$ 4,5 milhões por dia em anúncios segmentados apenas no YouTube. Se você coloca R$ 6 por dia em um anúncio no Instagram, chega a cerca de 1.500 pessoas. A escala é completamente desigual.”
Ele explicou como o próprio modelo econômico das plataformas lucra com conteúdos nocivos, incluindo masculinismo redpill, golpes de tigrinho, pirâmides de pix, negacionismo climático, negacionismo científico, revisionismo histórico e neonazismo. “Isso tudo dá lucro. Faz parte do modelo.”
Para Lippold, embora sejam importantes estratégias como alfabetização digital crítica e autodefesa, há limites estruturais. “Nunca vamos vencer nesse campo, porque é o capital que manda ali. Mas é nos movimentos sociais que vai nascer o novo. É ali que a gente vai resistir e avançar.”

Jornalistas gaúchos destacam precarização e políticas de comunicação
Em sua fala, Mateus Azevedo defendeu que a esquerda precisa de um projeto concreto de comunicação. “A gente colocou nossos representantes em conselhos, mas grandes empresas engoliram quem estava lá. Isso só piora a situação. Temos piso baixo, sobrecarga e desmobilização. Muitos colegas não se veem como operários da informação, mas sonham em ser celebridades. A luta sindical é essencial para mudar isso.”
Entre as propostas do SindJoRS apresentadas estão aprovação da PEC do diploma, implementação do piso nacional, combate à pejotização, fortalecimento da comunicação pública e popular, taxação das big techs e revogação da lei multimídia.
José Nunes destacou sua trajetória de mais de 30 anos na militância no sindicato, Fenaj e ARI. Ele recordou a luta contra a decisão do Supremo Tribunal Federal de 2009, que retirou a obrigatoriedade do diploma para jornalistas, e criticou a falta de implementação das demandas aprovadas na primeira Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). “Foram 600 propostas aprovadas e nenhuma implementada. A segunda conferência só faz sentido se algumas dessas medidas forem colocadas em prática.”
Por fim, criticou o modelo atual de formação acadêmica, que privilegia títulos sobre experiência de mercado. “Precisamos de jornalistas preparados, com conhecimento prático, capazes de enfrentar os desafios do mercado e da comunicação pública.”
Unidade, infraestrutura própria e educação midiática
Encerrando o debate, Admirson Medeiros Ferro Júnior (Greg) reforçou a importância da articulação entre movimentos, educação midiática e infraestrutura tecnológica própria. “Fico contente de ver esse plenário repleto e uma agenda de caravanas Brasil afora. É cada um no seu quadradinho fazendo o seu pedaço. É raro ter projetos estratégicos. A rede de soberania precisa discutir que sociedade queremos, só assim podemos falar em soberania.”
Ele destacou cooperativas como alternativa ao capitalismo concentrado “Quem aqui usa Uber ou 99? Tem uma cooperativa de transporte de passageiros funcionando em todo o Brasil. Estou ajudando a organizar e divulgar, todo mundo precisa apoiar.”
Greg também alertou para hábitos cotidianos e vigilância digital. “O povo não está educado a usar as mídias. Estamos vigiados 24 horas, Uber, compras, cartões, até casamento com IA já existe. Eles sabem tudo.”
O dirigente concluiu reforçando a necessidade de ação contínua e articulação ampla, lembrando que a soberania digital não depende apenas do governo federal, mas da participação de estados, municípios e movimentos sociais. “Esse debate tem que ser permanente. Discutir soberania, plataformas e educação midiática é fundamental para avançarmos.”
Confira a íntegra dos debates:

