O deputado distrital Ricardo Vale (PT) protocolou, nesta quinta-feira (26), duas medidas para fiscalizar a gestão do Banco de Brasília (BRB). O parlamentar acionou o Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) e a Câmara Legislativa (CLDF) após a renovação do contrato de patrocínio com o Flamengo. O valor do acordo saltou de R$ 32 milhões para R$ 42,6 milhões, estendendo o vínculo até março de 2027.
A principal ação é uma representação ao TCDF com pedido de liminar para a suspensão imediata dos pagamentos. Vale argumenta que o banco atravessa uma crise financeira sem precedentes, com prejuízos estimados entre R$ 8 bilhões e R$ 12 bilhões. Essas perdas estariam ligadas a operações consideradas “atípicas e criminosas” envolvendo a compra de ativos do Banco Master.
Contradição
Para evitar o colapso do banco, o Governo do Distrito Federal (GDF) sancionou a Lei nº 7.845, que autoriza a entrega de nove imóveis públicos ao BRB. O objetivo é utilizar esse patrimônio, avaliado em R$ 6,6 bilhões, para recapitalizar a instituição e garantir sua continuidade operacional. O deputado argumenta não haver lógica em gastar milhões com publicidade enquanto o banco depende de socorro bilionário.
A postura da diretoria foi duramente criticada pelo parlamentar, que esperava maior prudência diante do risco de insolvência. “Estamos diante de um banco público em crise que amplia gastos com publicidade de retorno duvidoso. É preciso avaliar se esse contrato atende ao interesse da população”, afirmou.
Para ele, os recursos destinados ao clube carioca são imprescindíveis para a liquidez imediata da instituição financeira.
banco digital
Além dos valores, a representação aponta mudanças na natureza da publicidade contratada pelo banco. O novo acordo deixaria de priorizar a marca institucional do BRB para focar na promoção do banco digital Nação BRB Fla. O documento enviado ao tribunal também menciona exigências atípicas do clube, como o suposto pagamento antecipado de partes do valor total.
Paralelamente, Ricardo Vale apresentou um requerimento de informações detalhado à presidência do banco. Ele exige cópias de todos os contratos com times de futebol firmados desde janeiro de 2019 e a demonstração do retorno financeiro dessas ações. O parlamentar cobra ainda uma justificativa técnica para o privilégio dado a um time que sequer é sediado na capital federal.
O deputado afirma que a atual gestão configura uma “verdadeira administração temerária do patrimônio público do povo do Distrito Federal”. O caso agora depende de uma análise cautelar do TCDF sobre a legalidade dos gastos publicitários em um cenário de fragilidade bancária.
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