Netanyahu ordena expansão da ocupação no sul do Líbano e aprofunda ‘modelo de Gaza’

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Em mais uma demonstração de sua política de expansão militar, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, ordenou, no domingo (29), a ampliação da ocupação no sul do Líbano. Durante uma mensagem em vídeo do Comando Norte, o líder sionista instruiu suas tropas a “estenderem o controle mais profundamente” em território libanês para consolidar o que ele chama de “zona de segurança”.

Netanyahu justificou a medida alegando a necessidade de frustrar supostas ameaças de invasão e desviar o fogo da resistência da fronteira. No entanto, em suas declarações, ele admitiu que busca replicar o “modelo de ocupação de Gaza”, vangloriando-se de já ter criado três cinturões de segurança “em território inimigo”: na Faixa de Gaza (onde ocupa mais da metade do território), na Síria e agora no Líbano.

“Eu disse que mudaríamos a face do Oriente Médio, e mudamos”, declarou Netanyahu, reafirmando uma mudança na doutrina de segurança israelense baseada em uma ofensiva permanente contra nações soberanas.

Avanço estratégico em direção ao rio Litani

Em terra, as forças de ocupação israelenses estão avançando em uma ofensiva coordenada em direção ao rio Litani, no Líbano. Correspondentes locais relataram que as tropas alcançaram um afluente ao sul da cidade de Qantara, posicionando-se a apenas algumas centenas de metros do rio.

Analistas descrevem essa manobra como uma “grande mudança estratégica” com o objetivo de desalojar o Hezbollah de suas posições históricas. No entanto, a resistência libanesa intensificou os combates nas últimas horas, prometendo uma “grande batalha” em defesa de sua integridade territorial.

Crimes contra a imprensa e a população civil

A agressão israelense, que se intensificou no início deste mês, causou uma catástrofe humanitária sem precedentes na região. Segundo o Ministério da Saúde libanês, o número de mortos chegou a 1.238, incluindo 124 crianças. Além disso, as Nações Unidas relatam mais de 1,2 milhão de pessoas deslocadas à força.

A comunidade internacional também denunciou um “crime flagrante” após o assassinato de três jornalistas na cidade de Jezzine enquanto exerciam seu trabalho: Ali Shoeib, correspondente veterano do Al Manar; Fátima Ftouni, jornalista do Al Mayadeen; Mohammad Ftouni, cinegrafista do Al Mayadeen.

Apesar da tentativa do exército israelense de rotular Shoeib como “terrorista” para justificar o ataque direcionado, o Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) e diversos ministérios das Relações Exteriores alertaram que jornalistas jamais devem ser alvos. Este incidente eleva para 11 o número de jornalistas libaneses mortos por Israel desde 2023, somando-se aos 210 jornalistas massacrados na Faixa de Gaza.

“Fátima e Ali eram heróis”, disseram os familiares durante o funeral em Choueifat, enquanto a mídia local confirmou que eles não se deixariam intimidar pela ofensiva militar israelense e continuariam a denunciar a agressão sionista na região.

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