Movimentos populares, entidades sindicais e ativistas de direitos humanos realizam, nesta quarta-feira (1º), um ato público em Belo Horizonte, em repúdio aos 62 anos do golpe de 1964 e em defesa da preservação da memória sobre a ditadura. A mobilização ocorre às 17h, no Memorial dos Direitos Humanos Ocupado, localizado na avenida Afonso Pena, região central da capital.
O ato também celebra o primeiro ano de ocupação e reabertura do prédio, antiga sede de órgãos de repressão como o Dops e o DOI-Codi. A atividade marca ainda a fundação da Associação do Memorial Ocupado, iniciativa que busca fortalecer a gestão popular do espaço e garantir sua continuidade como centro de memória e denúncia.
O edifício, símbolo da violência de Estado durante a ditadura empresarial-militar, permaneceu por décadas sem cumprir plenamente sua função de memorial. Embora a criação do espaço esteja prevista desde a Lei Estadual 13.448, de 2000, sua efetivação foi marcada por interrupções. Inaugurado formalmente em 2018, o local ficou fechado durante anos e só voltou a funcionar de forma contínua após ser ocupado por movimentos sociais em 1º de abril de 2025.
Desde então, o memorial tem recebido visitas mediadas e atividades culturais e educativas. Segundo os organizadores, mais de 8 mil pessoas participaram de visitas guiadas e cerca de 20 mil estiveram no espaço em eventos ao longo do último ano. As visitas são gratuitas e incluem atividades de formação, pesquisa e produção cultural, com mediação feita por integrantes da ocupação.
Além de resgatar a memória das violações cometidas pelo Estado, o movimento também denuncia entraves institucionais. O prédio é tombado em nível municipal e estadual e está em processo de reconhecimento federal. A disputa em torno do espaço envolve ações judiciais em diferentes esferas, incluindo uma ação civil pública conduzida pelo Ministério Público Federal e uma denúncia em análise no Conselho de Direitos Humanos da ONU.
Relembre
Nos primeiros dias da ocupação, o local foi alvo de um cerco policial, considerado ilegal pelos movimentos, o que intensificou o debate sobre o direito à memória e à ocupação de espaços públicos historicamente marcados pela repressão.
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Para entidades como o Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Rede Pública Municipal de Belo Horizonte (Sind-Rede/BH), a mobilização desta quarta reforça a importância de manter viva a memória histórica. Em nota, o sindicato afirmou que “não podemos esquecer, para nunca mais acontecer”, e defende que a luta por memória, verdade, justiça e reparação deve caminhar junto à defesa de direitos no presente, incluindo o enfrentamento à violência institucional.
O ato convoca a população a participar não apenas como forma de rememorar o passado, mas também de afirmar compromissos com a democracia.
Serviço
Ato em repúdio ao golpe de 1964 e comemoração de 1 ano do memorial ocupado
Dados: 01/04/2026
Local: Memorial dos Direitos Humanos Ocupado (antiga sede do DOPS e do DOI-CODI) – Avenida Afonso Pena, 2351
Horário: 17h

