As políticas públicas implementadas em Maricá foram destaque na Expo Favela Innovation, realizada no último domingo (29), reunindo representantes do município em debates sobre proteção social, economia solidária e atuação nas comunidades. O evento, voltado para iniciativas das periferias, também abriu espaço para discutir o papel da cultura popular na construção da identidade local.
Durante o painel “O exemplo das políticas públicas de Maricá para o Brasil”, o secretário de Comunicação Social, Keffin Gracher, apresentou o modelo adotado pelo município, que combina programas de transferência de renda com estratégias de desenvolvimento econômico.
“A cidade conseguiu estruturar uma rede de proteção social importante e o desafio agora é criar condições para que as pessoas tenham mais autonomia, com qualificação, emprego e oportunidade de empreender”, afirmou.
O secretário também chamou atenção para os impactos do crescimento populacional acelerado e os desafios que ele impõe à gestão pública, especialmente nas áreas de infraestrutura e serviços. “A população aumentou muito nos últimos anos, e isso pressiona os serviços públicos e a infraestrutura. O esforço da gestão tem sido justamente preparar a cidade para esse novo ciclo, pensando no presente, mas também no futuro pós-petróleo”, acrescentou.
A economia local também entrou no debate, com destaque para a moeda social Mumbuca e a Renda Básica de Cidadania, iniciativas que colocam o município como referência em políticas de economia solidária. Segundo o secretário de Economia Solidária, Matheus Gaúcho, a circulação de recursos dentro da própria cidade contribui para dinamizar o comércio e ampliar a proteção social. “Quando o recurso circula no comércio local, ele fortalece quem empreende, ajuda quem consome e mantém a economia girando dentro do próprio município. Esse é um dos diferenciais da experiência de Maricá”, afirmou.
O secretário também destacou o reconhecimento internacional do modelo adotado no município. “Maricá tem sido observada por outros países por causa desse modelo. Não é por acaso que a cidade vai sediar, em 2027, o Fórum Global de Economia Solidária”, disse.
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A atuação do poder público nas periferias também esteve em pauta. A secretária de Promoção das Comunidades, Brunna Tavares, destacou a importância de levar políticas públicas diretamente aos territórios populares. “O nosso trabalho é fazer com que as políticas cheguem aonde muitas vezes elas não chegavam. É olhar para dentro das comunidades e entender o que cada território precisa, levando oportunidade, escuta e presença do poder público”, afirmou.
Carnaval e pertencimento entram no debate
Além das discussões sobre políticas públicas, a participação de Maricá na Expo Favela também incluiu o debate sobre cultura e pertencimento. No painel “O Carnaval como instrumento de pertencimento local”, representantes de escolas de samba discutiram a relação entre festa, território e identidade.
Representando a União de Maricá, Emerson Pereira destacou o papel do carnaval como elemento de conexão com a comunidade. “Existe um processo em curso de aproximação da escola com a cidade e com a comunidade. O carnaval, nesse contexto, deixa de ser apenas uma festa e passa a ocupar também um lugar de representação, de identidade e de valorização do território”, afirmou.
Para ele, espaços como a Expo Favela contribuem para ampliar o reconhecimento dessas iniciativas. “Quando a gente coloca esse tema em diálogo com públicos diferentes e com outras escolas tradicionais, mostra que há um trabalho sendo feito e que Maricá já começa a ocupar esse lugar de forma legítima”, disse.

