Investimentos privados podem chegar a R$ 46 bi no Arco Norte

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Apesar dos gargalos logísticos que ainda travam sua expansão, o Arco Norte concentra uma carteira robusta de investimentos portuários privados.

Atualmente, a região conta com 138 TUPs (Terminais de Uso Privado) autorizados e cerca de R$ 46 bilhões em investimentos previstos, segundo o diretor-geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), Frederico Dias.

O volume de projetos reflete a consolidação do Arco Norte como alternativa para o escoamento de grãos e cargas minerais do país.

Nos últimos anos, a região passou a disputar protagonismo com os portos do Sul e Sudeste, impulsionada pelo crescimento da produção no Centro-Oeste e nas franjas da própria Amazônia.

Entre os empreendimentos recentes, o Terminal Portuário Novo Remanso, em Itacoatiara (AM), iniciou operações no fim de 2025.

A empresa responsável, Terminais Ageo, afirma que o principal critério para ingressar no mercado amazônico foi o potencial de expansão do corredor logístico do Arco Norte.

“O principal critério foi a possibilidade de expansão do mercado na região amazônica, considerando o crescimento do escoamento de cargas pelos corredores do Arco Norte”, informou a empresa.

A expectativa é movimentar cerca de 3 milhões de toneladas de cargas já neste ano pelo novo terminal. Segundo a empresa, a operação inicial atendeu uma demanda reprimida existente na região, mas o crescimento futuro dependerá diretamente da ampliação da produção que utiliza o corredor amazônico para exportação.

Além de Novo Remanso, a Ilha de Santana (AP) deve receber novos terminais particulares.

A multinacional LDC (Louis Dreyfus Company) mantém um projeto que pode movimentar até 9 milhões de toneladas, afirma o diretor-presidente da ATP (Associação de Terminais Portuários Privados), Murillo Barbosa. Também há ampliações em curso em outros terminais da região.

Risco de excesso

Apesar do volume expressivo de investimentos previstos, Frederico Dias alerta que nem todos os projetos autorizados devem, de fato, sair do papel.

O Ministério de Portos e Aeroportos solicitou à Antaq um levantamento detalhado para avaliar se há carga suficiente para sustentar todos os pedidos de autorização apresentados.

“Muitas vezes, terminais diferentes são autorizados contando com a mesma carga, e nem todos terão viabilidade”, diz o chefe da agência reguladora.

A preocupação do ministério é evitar uma pulverização de projetos que não se convertam em investimentos efetivos, gerando assimetria concorrencial e sobrecapacidade instalada.

Embora os TUPs sejam empreendimentos privados, a avaliação é de que cabe ao poder público garantir que a política de autorizações resulte em expansão real da infraestrutura.

Além dos terminais privados, o governo prepara uma nova rodada de concessões portuárias no Arco Norte. Estão previstos leilões de arrendamentos nos portos organizados de Santana (AP), Vila do Conde (PA), Natal (RN) e Itaqui (MA). Há ainda estudos para mais arrendamentos em Salvador (BA), Suape (PE) e outros portos nordestinos, segundo Frederico Dias.

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