‘Será uma vergonha histórica para Fifa se Irã não participar da Copa do Mundo’, avalia jornalista

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A Copa do Mundo 2026 se aproxima em meio ao acirramento das tensões geopolíticas envolvendo o país sede dos jogos, os Estados Unidos, que, em 28 de fevereiro, ao lado de Israel, atacaram o Irã. No dia 11 de março, a seleção iraniana anunciou que não participaria dos jogos mundiais.

Na ocasião, Ahmad Donyamali, ministro dos Esportes do Irã, chegou a declarar que “considerando que este regime corrupto assassinou nosso líder, em hipótese alguma, podemos participar da Copa do Mundo”.

O “climão” desesperou o presidente da Fifa, Gianni Infantino, que, desde o episódio tem feito declarações de garantia da segurança da seleção em território estadunidense. Nesta semana, Infantino confirmou a participação do Irã.

O jornalista Carlos Massari, criador do canal Copa Além da Copaafirma que a ausência do Irã seria um vexame. “Basicamente, a gente tem um país (Irã) que foi atacado pelo país sede da Copa (EUA). Seria uma vergonha histórica (para a Fifa) se o país que foi atacado não possa jogar a Copa do Mundo enquanto o país que atacou estará lá como se nada tivesse acontecido”, afirmou em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

Massari lembra que esse trauma do qual Infantino parece querer fugir se dá pela atitude que a entidade teve com a Rússia na última Copa. “A Fifa deu um grande tiro no próprio pé quando foi muito rapidamente suspendendo a Rússia quando começou a guerra na Ucrânia. Isso foi as vésperas da repescagem que ia definir as últimas vagas da Copa de 2022. A Rússia deveria enfrentar a Polônia, que é uma aliada hstorica da Ucrânia e uma rival histórica da Rússia. A Fifa, por pressão das potencias ocidentais, acabou suspendendo a Rússia. E agora a gente olha esse cenário podendo se repetir”, diz.

O jornalista também aponta a proximidade entre Infantino e o presidente dos EUA, Donald Trump. “Ele (Infantino) participou da criação do Conselho de Paz do Trump para acabar com a guerra e culminou no fato de Gianni Infantino criar um prêmio da Fifa da Paz para dar ao Donald Trump. É um absurdo. Então ele está de mãos atadas, a Fifa não tem o que fazer com relação às ações dos EUA.”

Sobre as chances de a seleção brasileira conquistar o hexacampeonato, Massari adota uma visão positiva e elogia o técnico Carlos Anceloti.

“O Brasil é uma seleção forte. Não é a favorita e isso ficou claro no jogo contra a França, mas o Brasil tem um técnico de alto nível”, pontua. Para ele, França e Espanha tem, até o momento, mostrado mais favoritismo.

Uma das surpresas, “nem tão surpresa assim”, segundo Massari, é a ausência da Itália pela terceira edição consecutiva. “É uma crise histórica dentro do futebol italiano. São diversos os fatores: a gente vive um momento em que os movimentos migratórios são importantes dentro do futebol. A gente tem a seleção francesa e a inglesa, por exemplo, que são potências, em que há muitos filhos da diáspora dos países que eles colonizaram nessas seleções. São jogadores que nasceram na Franca, na Inglaterra, eles são cidadãos desses países, mas a gente tem que lembrar que são países que tiveram muitas colônias. A Itália não participou dessa era dos impérios coloniais. Além disso, é um país envelhecido, que não se renovou no futebol”, avalia.

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