Três meses após o ataque dos Estados Unidos contra Venezuela, em 3 de janeiro deste ano, que acabou no sequestro do presidente Nicolás Maduro e da primeira dama Cilia Flores, a situação é de incerteza.
Ainda não há data prevista para o julgamento de Maduro, acusado sem provas de conspiração para o narcoterrorismo entre outros crimes. Em março, Trump afirmou que o líder venezuelano vai enfrentar novas acusações nos Estados Unidos. A Venezuela segue sob o comando da presidenta interina Delcy Rodriguez, que era vice de Maduro.
Apesar da situação de pressão constante e de algumas concessões feitas pelo país, a Revolução Bolivariana segue firme e a prova disso são as constantes mobilizações populares pedindo a imediata libertação de Maduro e Cilia.
Para o economista e professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) Alexandre Favaro Lucchesi, o tempo tem evidenciado que a estratégia adotada por Trump expõe um interesse mais profundo ligado ao controle econômico das reservas de petróleo na Venezuela. “Essa operação, que foi precisa, cirúrgica para tirar Maduro do poder, fazia parte de uma estratégia de longo alcance de impedir que aqueles resistentes à estratégia de controle econômico dos Estados Unidos sobre a Venezuela, saíssem do caminho”, afirma ao Entrevista com BdF desta sexta-feira (3).
“Quando eles (EUA) fizeram com que o o Maduro fosse julgado por operações de narcotráfico, de chefias de cartéis, na verdade, o que ele estava até então comandando era uma resistência à influência americana sobre o petróleo.”
Lucchesi defende que o chavismo segue vivo na Venezuela, mas que sofrerá, inevitavelmente, algumas adaptações. “Você tem elementos populares mobilizados e você tem núcleo do governo com estruturas ainda remanescente do chavismo. E você tem a vice do Maduro no cargo da presidência agora de maneira interina. O que você não tem mais? A condução da política econômica estatizada. Agora você tem economistas, tem quadros técnicos lá, que a gente chama aqui de uma certa tecnocracia já atuando em favor de uma abertura. Isso rearranja a linha condutora do governo”, cita.
Para ele, no entanto, esse aparente recuo é compreensível diante do contexto. “Esse recuo, na verdade, é um recuo tático por conta da força com que o Trump agiu.”
Para ouvir e assistir
Ó Entrevista com BdF vai ao ar de segunda a sexta-feira, sempre às 16h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo.

