O governo de Cuba agradeceu, nesta sexta-feira (3), o apoio internacional recebido em meio ao agravamento do bloqueio imposto pelos Estados Unidos. Em mensagem publicada nas redes sociais, o chanceler Bruno Rodríguez reconheceu a solidariedade de governos e povos que enviaram ajuda material à ilha diante do que classificou como um cerco energético responsável por danos à população cubana.
“A solidariedade não pode ser bloqueada e demonstra seu valor frente à política genocida estadunidense”, afirmou o ministro das Relações Exteriores, ao comentar a chegada de doações e iniciativas de apoio vindas de diferentes países.
Nos últimos dias, o governo cubano tem reiterado o impacto direto das restrições impostas por Washington sobre o abastecimento de energia e bens essenciais. Segundo Rodríguez, as medidas adotadas pelos Estados Unidos têm provocado dificuldades concretas no cotidiano da população, especialmente em áreas sensíveis como saúde e alimentação.
Na quarta-feira (1º), o chanceler também destacou o envio de combustível da Rússia à ilha, em meio às restrições energéticas. “Cuba agradece o gesto solidário da Rússia de enviar um carregamento de combustível em circunstâncias tão difíceis para o povo cubano”, afirmou. Ele ressaltou ainda que a iniciativa reafirma o direito de Moscou de exportar seus recursos e de Havana de importá-los, além de evidenciar as relações históricas entre os dois países.

Democratas pressionam por mudança de rumo
No mesmo dia, um grupo de legisladores democratas dos Estados Unidos enviou uma carta ao presidente Donald Trump pedindo a retomada do diálogo diplomático com Cuba e criticando a ampliação do bloqueio econômico contra a ilha.
O documento, assinado pelo congressista Gregory Meeks e pelo senador Tim Kaine, afirma que a tentativa de forçar uma mudança política em Cuba não teve sucesso após mais de seis décadas de sanções. Para os parlamentares, a estratégia adotada por Washington se mostrou ineficaz e tem contribuído para o agravamento da crise humanitária no país.
Na carta, os legisladores apontam dificuldades enfrentadas pela população cubana, como os apagões recorrentes provocados pela escassez de combustível e o acesso limitado a insumos médicos e serviços de saúde. Segundo o texto, os setores mais vulneráveis são os mais afetados pela situação.
“As condições em Cuba estão se deteriorando rapidamente. Os mais vulneráveis estão suportando o peso maior. (…) As pessoas morrerão se o rumo não for revertido imediatamente”, afirmam os congressistas no documento enviado à Casa Branca.
Ao todo, 52 parlamentares apoiaram a iniciativa, que também alerta para os custos e riscos de uma política de pressão contínua sem resultados concretos. O grupo defende a retomada de canais diplomáticos como alternativa para lidar com as diferenças entre os dois países.
Bloqueio se intensifica e amplia impactos
Em vigor desde 1962, o bloqueio econômico imposto pelos Estados Unidos contra Cuba foi intensificado recentemente por novas medidas adotadas pelo governo Trump, que atingem especialmente o setor energético.
No dia 29 de janeiro, uma ordem executiva autorizou a imposição de tarifas a países que exportem petróleo para a ilha, ampliando a pressão sobre o abastecimento de combustível. A medida se soma a outras restrições que afetam diretamente a capacidade de Cuba de importar bens essenciais e manter serviços básicos.
Segundo autoridades cubanas e organismos internacionais, a escassez de combustível se tornou um dos principais fatores de agravamento da crise, impactando o sistema elétrico e ampliando os riscos humanitários. Nesse cenário, iniciativas de solidariedade internacional e o envio de ajuda material têm ganhado centralidade como resposta às dificuldades enfrentadas pela população.
*Com informações da Telesur.

