O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e o ex-deputado Eduardo Bolsonaro tiveram neste final de semana mais um episódio de um racha que vem marcando a extrema direita no país. O conflito entre eles mobilizou o senador e pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), que teve que pedir “racionalidade” aos envolvidos em uma tentativa de evitar problemas para sua campanha eleitoral.
A discussão entre eles, no entanto, não é nova e se arrasta há meses. Em julho do ano passado, Nikolas interagiu nas redes sociais com uma influenciadora que se dizia “ex-bolsonarista”. Mesmo sem tecer críticas ao clã Bolsonaro, a atitude gerou incômodo na família. O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro chamou o deputado de “canalha”.
“Ela é uma pessoa abjeta, que defende a minha prisão e a de minha família. É triste ver a que ponto o Nikolas chegou”, afirmou nas redes sociais.
Poucos dias antes, Eduardo já havia criticado Nikolas pela “pouca atuação” do deputado na defesa do tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre os produtos brasileiros.
Em fevereiro de 2026 a situação se agravou. Eduardo disse que Nikolas e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro estariam com “amnésia” por não participarem de maneira ativa na campanha de seu irmão à presidência. Ele ainda deu a entender que os dois não tinham “lealdade” ao seu pai.
O deputado reagiu e disse que o agora ex-deputado “não estaria bem”. Ainda de acordo com Nikolas, ele não perderia tempo com ataques e criticou a possibilidade de rachas internos em meio a uma disputa político-eleitoral.
Agora o embate voltou a público e pode ganhar cada vez mais contornos de crise. Na quinta-feira (2), Eduardo questionou o perfil Space Liberdade, que faz comentários alinhados à direita nas redes sociais. Segundo o ex-deputado, a conta não pode se dizer de direita já que não apoiava de maneira pública a candidatura de Flávio.
Mais tarde, Nikolas compartilhou uma publicação justamente da Space Liberdade, o que gerou uma revolta de Eduardo. A publicação, no entanto, era uma crítica ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e dizia que a criação do Pix era de autoria do governo de Jair Bolsonaro.
Mesmo assim, Eduardo não gostou e disse que Nikolas deu espaço para perfis que não fazem coro à candidatura de Flávio.
O ex-deputado não se contentou com as críticas e subiu o tom. Também nas redes sociais, Eduardo compartilhou um vídeo afirmou que Nikolas só compartilhava conteúdos que não falam do seu irmão. Um usuário comentou a publicação dizendo que Nikolas estava atacando Lula e elogiando o ex-presidente, algo que era positivo para a direita.
Nikolas reagiu ao comentário do usuário comentando “kkk”. Isso foi o suficiente para que Eduardo publicasse um novo texto criticando o deputado e reforçando que ele não trabalhava pela eleição de Flávio.
“Eu realmente acreditava que você iria cair em si, que com a eleição se aproximando o senso de salvar o país falasse mais alto do que o ego e eventuais desentendimentos, mas meses se passaram e você continua colocando Flávio numa espiral do silêncio, com menos de meia dúzia de apoios públicos, apenas para fingir não ter abandonado o grupo político que te projetou”, escreveu.
O próprio pré-candidato se viu obrigado a falar sobre o assunto. Flávio Bolsonaro também publicou um vídeo pedindo “serenidade” e afirmando que era necessário união para derrotar o “verdadeiro adversário”, o presidente Lula.
“Tô gravando esse vídeo pra chamar todos pra racionalidade”, afirmou Flávio no conteúdo.
Eduardo perdeu o mandato e mora nos Estados Unidos desde o ano passado. O ex-deputado chegou a articular e elogiar o tarifaço da Casa Branca contra o Brasil, em um movimento que aumentou a popularidade de Lula. Por isso, o ex-deputado começou a ser chamado, por adversários, de “camisa 10” da campanha petista.
O racha na direita acontece em um momento em que Flávio se estabelece como principal adversário de Lula na corrida eleitoral. Na semana passada, um levantamento do Paraná Pesquisas trouxe Lula em primeiro lugar, com 41,3% dos votos, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 37,8%. Apesar de Lula estar à frente, a margem de erro técnica da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais para mais ou para menos, ou seja, o resultado do inquérito é considerado um empate técnico entre os dois pré-candidatos à disputa pela Presidência, que ocorre em outubro deste ano.

