Análise: Centro contou com estruturas locais para manter fundo partidário

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Partidos de centro, especialmente PSDB e Podemos, conseguiram se manter relevantes no cenário político brasileiro apesar do risco de extinção devido à cláusula de barreira, avaliou o analista político Pedro Venceslau, no programa Mapa de duas partidas.

Segundo Venceslau, essas siglas surpreenderam nas últimas eleições, mesmo sem grandes lideranças nacionais. O PSDB, que agonizava desde a eleição de 2018, quando Geraldo Alckmin obteve apenas 5% dos votos, conseguiu eleger 11 deputados federais, superando as expectativas.

“São duas siglas que não têm grandes lideranças, ou pelo menos não tinham grandes lideranças, mas têm estruturas locais sem disputa de poder”, explicou o analista. Essa característica permitiu que os partidos oferecessem a líderes regionais o controle incontestável de diretórios, sem questionamentos internos.

Casos emblemáticos em diferentes estados

O analista citou exemplos concretos dessa estratégia. No Ceará, Tasso Jereissati, que comanda o PSDB local, ofereceu a sigla para Ciro Gomes disputar o governo estadual “com a garantia de que não vai haver ninguém questionando a liderança dele”.

Outro caso mencionado foi o do prefeito de Maceió, João Henrique Caldas, que surpreendeu ao deixar a prefeitura com a possibilidade de disputar o governo ou o Senado, tendo liberdade para tomar suas próprias decisões políticas sem enfrentar resistência interna no partido.

Venceslau também destacou a situação de Goiás, onde Marconi Perillo, ex-governador e candidato novamente ao governo estadual pelo PSDB, estabeleceu uma proximidade velada com o PT, aproveitando-se da polarização local entre outros grupos políticos. “Para ele, interessa ter o apoio ainda aqui velado do PT e vice-versa”, analisou.

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