Trabalhadores argentinos de mais de 70 organizações sociais fizeram uma série de protestos nesta terça-feira (7), em várias regiões país, contra as medidas de austeridade do governo Javier Milei e o fim do antigo programa “Potenciar Trabajo” (aprimorar o trabalho, em tradução livre). Houve repressão da polícia federal com lançamento de gás lacrimogênio contra trabalhadores que se encontravam na ponte Pueyrredón, em Buenos Aires.
Outros pontos de protesto ocorrerão em cruzamentos de avenidas importantes, com interdição total de estradas tanto na província de Buenos Aires como em Santa Cruz, Rio Negro, Formosa, San Juan, Misiones, Córdoba, Mendoza, Salta, Santiago del Estero, Chaco, Entre Rios, Corrientes, Jujuy, Tucumán, Catamarca, Tierra del Fuego, Neuquén, Chubut e San Louis.
Os manifestantes exigem a volta do pagamento de 78 mil pesos do programa extinto por Milei e que afeta diretamente 900 mil trabalhadores da economia informal. O último pagamento está marcado para a próxima quinta-feira (9). Após essa data, o governo irá oferecer um programa de capacitação profissional, no qual serão distribuídos vouchers para a inscrição em cursos de formação como carpintaria, serralheria, hidráulica básica, jardinagem e manutenção de áreas verdes, entre outros.
Sob o lema “Trabalho sem remuneração é escravidão”, a União dos Trabalhadores da Economia Popular (Utep) reuniu catadores de papelão, membros de cooperativas e trabalhadores de cozinhas comunitárias para alertar contra a “medida que condena grande parte da população à miséria”.
Organizações sociais denunciam também o Ministério do Capital Humano, liderado por Sandra Pettovello, pela implementação de uma estratégia que afeta o poder de compra do setor, através da “desvinculação” da renda social ao salário mínimo, Vital e Móvel.
A Utep destaca que a administração Milei não só cortou verbas dos setores mais vulneráveis, como também expulsou mais de 300 mil pessoas do mercado de trabalho formal, que agora pressionam uma economia popular sem rede de proteção social.
Johana Duarte, secretária sindical, descreveu a medida como uma demonstração de “crueldade sem limites “, que afeta a renda individual e destrói as economias locais e os negócios de bairro nas províncias mais pobres do norte da Argentina.

O programa Potenciar Trabajo foi criado durante o governo de Alberto Fernández e garantia o pagamento de 50% do salário mínimo mensal a pessoas que participavam de atividades socioprodutivas e comunitárias, como a limpeza de espaços públicos. Era compatível com o abono de família ou o cartão alimentação e também beneficiava trabalhadores rurais temporários e empregados domésticos entre 18 e 49 anos.
Após a posse de Javier Milei, o programa foi dividido em “Retorno ao Trabalho” e “Apoio Social” . O primeiro visa “fortalecer as competências profissionais e melhorar a empregabilidade para integrar essas pessoas no mercado de trabalho formal”. O segundo destina-se a mulheres com mais de 50 anos e mães de quatro ou mais filhos.
*Com informações da Telesur

