Ré por improbidade administrativa no âmbito da Operação Drácon, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), pode ser tornar inelegível no julgamento marcado para o dia 23 de abril. A nova data foi anunciada pela desembargadora Nilsoni de Freitas Custódio do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) na quinta-feira (9).
A medida atende a um pedido da defesa do ex-deputado distrital Cristiano Araújo (MDB), cujo advogado está em recuperação por 30 dias. Além de Celina e Araújo, também são réus o deputado Júlio Cesar Ribeiro (Republicanos) e o ex-deputado Bispo Renato Andrade (PL).
Os investigados respondem por suposto esquema de pagamento de propina para liberação de emendas parlamentares destinadas à compra de leitos de UTI entre 2015 e 2016. Na época, Celina Leão era deputada distrital e presidente da Câmara Legislativa (CLDF). Ano passado, os réus foram absolvidos da acusação de corrupção passiva no caso.
Revés na Justiça
Paralelamente ao adiamento, a defesa de Celina Leão sofreu um revés na última segunda-feira (6). A Justiça do DF negou um novo pedido de perícia nos áudios entregues pela ex-deputada Liliane Roriz, considerados peças-chave do processo.
O magistrado classificou o pedido como repetitivo e protelatório, destacando que a Polícia Civil já atestou a autenticidade do material, sem indícios de cortes ou manipulações.
A manutenção dessas provas aumenta a pressão sobre a governadora, que assumiu o cargo após a saída de Ibaneis Rocha (MDB). Celina tenta evitar uma eventual condenação que possa torná-la inelegível e comprometer sua tentativa de reeleição ao Palácio do Buriti em outubro.
Impacto político
O futuro político de Celina Leão está diretamente ligado ao desfecho do caso. Em caso de condenação em segunda instância por improbidade administrativa, ela pode ser enquadrada na Lei da Ficha Limpa, ficando impedida de disputar as eleições.
O cenário lembra o do ex-governador José Roberto Arruda (PSD), que também enfrenta questionamentos sobre elegibilidade em razão de condenações ligadas à Operação Caixa de Pandora.
Enquanto aguarda o julgamento, Celina mantém agenda pública e articulações políticas. Em sua posse no dia 30 de março, criticou decisões do Judiciário e comentou os desdobramentos dos atos terroristas de 8 de janeiro, além de afirmar ter “consciência limpa” em relação às acusações da Operação Dracon.
O processo segue em tramitação no TJDFT. O julgamento, agora previsto para o dia 23 de abril, deve dar continuidade à análise das acusações e pode representar um ponto decisivo para o futuro jurídico e político dos réus.
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