No marco dos 30 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) ocupou a Fazenda Córrego, localizada no município de Madalena, no sertão do Ceará. A ação ocorreu na madrugada desta quarta-feira (15) e contou com a participação de aproximadamente 500 pessoas.
A ocupação integra a Jornada Nacional de Lutas em Defesa da Reforma Agrária, que este ano respeitará o marco de 30 anos do assassinato de 21 pessoas sem-terra pela Polícia Militar do Pará em 17 de abril de 1996.
A Fazenda Córrego possui mais de 300 hectares que, segundo o MST, não cumprem a função social exigida pela Constituição Federal. Além disso, o movimento destaca que a área pode servir para sanar problemas sociais urgentes na região de Madalena.
Paulo Henrique, da direção estadual do MST no Ceará, afirma que a mobilização também é uma resposta ao grave déficit habitacional do município. “A ocupação expressa a luta pelo direito à moradia para a população madalenense, com inúmeras famílias em situação de vulnerabilidade morando de aluguel, enquanto terrenos poderiam ser adquiridos pelo poder público para construção de casas populares por meio do programa Minha Casa, Minha Vida do Governo Federal”, pontua o dirigente.
A mobilização no Ceará não é um fato isolado. Em todo o país, a Jornada de Abril, também conhecida como “Abril Vermelho”, promove marchas, acampamentos pedagógicos e ocupações para denunciar a impunidade que ainda cerca o massacre de 1996 e exigir o avanço das políticas de assentamento, que sofreram paralisia nos últimos anos.
As mobilizações incluem ocupações, marchas, vigílias e o Acampamento Pedagógico da Juventude Oziel Alves, em Eldorado do Carajás, com reconstrução do monumento aos 21 mártires, além de marchas na Bahia. As ações reúnem militantes de 24 estados em uma mobilização de caráter massivo, simbólico e de denúncia contra a violência estrutural no campo e a negligência do Estado.
No caso da Fazenda Córrego, o MST exige que o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) realize a vistoria imediata do imóvel para fins de desapropriação.
Outro lado
Ó Brasil de Fato não encontrou os proprietários da Fazenda Córrego para que se manifestassem. Caso o façam, o texto será atualizado.

