Revolução na Venezuela segue em curso e de olho nas próximas eleições, diz analista internacional

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O ataque dos Estados Unidos contra a Venezuela, que foi marcado pelo sequestro do presidente Nicolás Maduro e da esposa dele, a deputada Cília Flores, completa 100 dias. Mas, afinal, quais são os caminhos possíveis para um desfecho dessa situação? Como vive e resiste a população venezuelana, em meio a uma série de contradições, enquanto espera o retorno de seu líder e a retomada de uma situação de normalidade?

Esse é o tema do podcast O Estrangeiro desta semana, que recebe o advogado Hugo Albuquerque, analista internacional e editor da Autonomia Literária, e o correspondente do Brasil de Fato em Caracas Leonardo Fernandes.

Para Albuquerque, o interesse estadunidense sobre o petróleo venezuelano é óbvio e ponto pacífico nesse imbróglio. “O que levou o Trump a agir da maneira como tem agido com relação a Venezuela é uma série de trapalhadas internas do governo americano. Tem coisas que são erros por decisões tomadas no calor do momento. É impressionante, mas é o que está acontecendo”, diz.

O analista acredita que existe uma influência direta do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, na condução das negociações. “Isso veio por uma insistência dele, que pretende ser candidato à presidência. Um outro fator é como os americanos, essa ala que está comandando o antigo Departamento de Defesa, eles têm uma leitura de que é preciso intervir na Venezuela, e isso foi corroborado também por análises de que era preciso degradar as fontes de fornecimento de petróleo da China”, avalia.

Leonardo Fernandes, radicado em Caracas, fala em cenário de normalidade nas ruas e de uma narrativa de resistência permanente. “Eu diria que as expressões que mais ouço são ‘recuo tático’ e ‘paciência estratégica’. Isso porque por um lado existe uma necessidade de o governo se adequar a uma série de regras para superar esse período de bloqueio que a Venezuela vem passando e por outro de ter paciência, porque eles acreditam que haverá uma saída para essa situação para além das saídas econômicas que o governo tem encontrado, sobretudo no que diz respeito à devolução do presidente Nicolás Maduro”, afirma.

Questionado se a Revolução Bolivarana segue viva, Hugo Albuquerque frisa que ela ainda existe, mas, diante da situação atual, vai se aproximar de um impasse. “Primeiramente, o capital americano vai entrar ali, tem uma disputa entre setores do governo americano sobre o que fazer. O plano que acabou sendo executado, claro, é um plano de derrubar a revolução. A Venezuela vai experimentar uma entrada de capital, vai ter um crescimento econômico, vai se recuperar em algum sentido”, diz.

Para ele, a condição de Trump no cenário interno dos EUA e até mesmo global vai impactar a condução dos próximos anos na Venezuela. “Eu acredito que se o Trump estiver forte, a tendência é eles conduzirem, tentarem dobrar de alguma maneira o governo ou até cooptarem algum setor dele de maneira mais direta, para produzir essa mudança na Venezuela. O que que isso pode gerar lá dentro? Pode gerar uma aceleração dessa conflituosidade”, avalia.

Albuquerque destaca que o chavismo tem condições de, em uma eventual eleição, sair eleito com grande aprovação, mas isso vai “depender muito dessa dinâmica econômica e da percepção popular”.

https://www.youtube.com/watch?v=Ga1wInIq5qQ

Para ouvir e assistir

Ó podcast O Estrangeiro vai ao ar semanalmente às quartas às 15h, disponível nos canais do Brasil de Fato.

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