O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou o Papa Leão 14 em suas redes sociais. O republicano chamou o pontífice de “fraco no combate ao crime” e “péssimo em política externa” e postou uma fotomontagem vestido tal qual Jesus Cristo abençoando uma pessoa doente.
A provocação pegou mal para Trump, que já tem visto sua popularidade ruir por causa da guerra contra o Irã e agora se encontra cada vez mais isolado. Papa Leão 14, por sua vez, elevou o tom e criticou o presidente pelos “bilhões de dólares gastos em mortes”.
Para André Ricardo de Souza, coordenador do Núcleo de Estudos de Religião, Economia e Política da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), o episódio mostra, por um lado, a prepotência de Trump, e por outro a autoridade política de um papa. “A gente vê da parte do governante estadunidense uma postura muito incisiva de intromissão violenta, inclusive em governos, em países alheios, e, inclusive, no que se refere ao governo da Igreja Católica, já que ele chegou a dizer que teve influência na escolha do papa por causa da nacionalidade. Em relação ao Papa Leão 14, ele está com uma postura condizente com a de pontífices, que é em prol da paz, da trégua, enfim, da reconciliação”, afirma.
Souza destaca que, embora bem menos contundente que o antecessor Papa Francisco, Leão 14 facilmente se contrapõe a Trump, já que o presidente estadunidense “se tornou uma figura repugnante para a grande maioria da sociedade civil planetária, com exceção aa alguns governantes”.
“Nesse sentido, Leão 14 é uma autoridade política investida também de autoridade moral, espiritual, que se contrapõe a Trump com essa peculiaridade de ter a mesma nacionalidade. Então ele pode dizer: ‘Olha, eu conheço essa esse país e posso dizer que você não o representa como um todo’. Então, isso é algo interessante que está ocorrendo neste momento”, avalia Souza.
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