‘Situação de Pernambuco é atípica e o ideal para Lula é não criar atrito’, avalia cientista político

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A disputa eleitoral ao governo de Pernambuco pode terminar no primeiro turno. O ex-prefeito do Recife, João Campos (PSB), tem 50% das intenções de voto contra 38% da atual governadora, Raquel Lyra (PSD), que havia pedido ao presidente Lula que participasse dos dois palanques ou se mantivesse neutro.

O cientista político e professor da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) Paulo Niccoli Ramirez considera pouco provável que isso ocorra, sobretudo porque o vice-presidente, Geraldo Alckmin, é do partido de Campos. “A tendência é que, ainda que de forma mínima, haja alguma participação de Lula dentro do palanque do PSB. Essa é uma tendência. Mas quando há duas esquerdas disputando e que são aliadas ao governo, o ideal seria que Lula não aparecesse em nenhum dos dois palanques. O problema é que Campos pode ser muito importante no segundo turno. Mas a situação de Pernambuco é atípica e o ideal é não criar atrito, porque isso pode prejudicar Lula especialmente na região Nordeste”, afirma Ramirez, em sua participação no Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.

Em Minas Gerais, Cleitinho (Republicanos) lidera a corrida e atrás dele está Rodrigo Pacheco (PSB), que é o candidato em que o governo aposta, com 28,6%. Para Ramirez, embora o colégio eleitoral de Minas seja bastante relevante na disputa, a ideia de que quem vence no estado ganha o governo federal guarda uma contradição. “Até hoje, desde a redemocratização, claro, quem venceu em Minas venceu no país inteiro. Uma grande coincidência, mas não necessariamente o governador que vence em Minas é o mesmo apoiado pelo candidato vencedor à presidência”, destaca. “Romeu Zema, por exemplo, foi reeleito na última eleição, mas ao mesmo tempo, Minas Gerais teve como maioria dos votos o presidente Lula.”

Política da boa vizinhança

O cientista político Paulo Niccoli Ramirez considera importante que Lula se blinde de qualquer eventual desconforto, porque a situação do presidente nas pesquisas é complicada, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) figurando em empate técnico.

Sobre candidaturas chamadas de estranhosRamirez comenta sobre a presença de Augusto Cury. “É uma candidatura que nos surpreendeu, mas vale aqui um dado interessante. Inúmeras pesquisas mostram que países onde há muita desigualdade e o governo pouco age em nome das políticas públicas, onde há profunda pobreza, a tendência é que as pessoas busquem a autoajuda. Isso tem tudo a ver com o neoliberalismo. Essas falas que lembram uma música da Xuxa: ‘Tudo pode ser, só basta acreditar’. Mesmo assim, não dá para entender o propósito dele. Afinal, autoajuda não tem nada a ver com política”, critica.

O analista lembra do aparecimento de figuras como Cabo Daciolo e o próprio Jair Bolsonaro que, em 2018, adotou um discurso antissistema e encontrou aderência no eleitorado. “A tendência é que a gente veja cada vez mais figuras absolutamente despreparadas, concorrendo e ganhando votos pelo ódio e não pela razão”, afirma.

Para ouvir e assistir

O jornal Conexão BdF vai ao ar em duas edições, de segunda a sexta-feira: a primeira às 12h e a segunda às 17h, na Rádio Brasil de Fato98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.

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