O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que um cessar-fogo de dez dias teria sido costurado entre Líbano e Israel e que as negociações com o Irã estariam avançando positivamente. A trégua teria início nesta quinta-feira (16), às 17h, no horário de Brasília, mas, até o momento, isso não aconteceu.
O professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC) Gilberto Maringoni explica, em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fatoque, em geral, acordos de cessar-fogo não significam o fim de uma guerra.
“Em geral, o cessar-fogo é muito mais para um rearranjo. Ele funciona para que os países revejam suas alianças para ver como seguir no conflito. Esse é o caso, me parece, de Israel. Eu digo isso porque nas últimas 24 horas Israel seguiu com ataques fortes contra o sul do Líbano. É a velha tática nazista que Israel adota para ter o que eles chamavam de espaço vital. Eles vão tentar conquistar territórios na base da violência para alojar uma parcela da sua população. Só que eles estão usando o argumento de que estariam combatendo grupos terroristas no Líbano, mas isso não se sustenta”, explica.
Segundo Maringoni, a existência do Estado de Israel é, hoje, um problema para a região, afinal, trata-se de um Estado sionista, ou seja, baseado em um nacionalismo étnico. “A simbiose (entre política e religião) que lhes faculta dizer que todo ataque a Israel é um ataque ao povo escolhido, na verdade, é um ataque histórico, antissemita. O que não é real. Israel na verdade usa esse discurso para fazer seu expansionismo”, afirma.
Por essa razão, o professor considera pouco provável que qualquer acordo temporário vá significar o fim dos ataques de Israel aos países do Oriente Médio. “É uma verdadeira sanha belicista, conquistadora”, define.
Com relação às negociações entre Washington e Teerã, Maringoni considera que Trump continua querendo dominar a narrativa ao dizer que o Irã teria aceito condições impostas por ele, informação não confirmada pelo governo persa. “Está claro que os objetivos dos EUA e Israel são muito diferentes. Aos EUA interessaria uma guerra rápida para demonstração de força. Para Israel, não. Esse problema todo faz com que haja esse vai-vem, vai ter trégua, não vai, enfim, há um problema de direção na coalizão imperial dessa guerra”, avalia.
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