O Movimento de Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de Minas Gerais realiza, nos próximos dias 17 e 18 de abril, uma série de ações, reivindicando justiça pelos massacres em Eldorado do Carajás, no Pará, e em Felisburgo (MG), onde fica o acampamento Terra Prometida.
Em 17 de Abril de 1996, a Polícia Militar abriu fogo contra uma marcha de 1,5 mil trabalhadores sem terra, na Curva do S, no município paraense, matando 21 pessoas. Há 30 anos, a data é marcada como dia de luta para o MST e diversos movimentos camponeses do mundo inteiro.
Minas Gerais também foi palco de um massacre em 2004, quando jagunços contratados por Adriano Chafik invadiram o acampamento Terra Prometida, em Felisburgo, e mataram cinco camponeses. Depois de décadas de lutas, Chafik e seus comparsas foram condenados a penas que chegam a mais de 100 anos de prisão, mas o MST aponta que a justiça plena é a desapropriação da terra e a destinação dela às famílias.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou o decreto que desapropria a terra, mas o movimento ainda aguarda a homologação. Por isso, no estado, a luta que lembra o massacre de Eldorado dos Carajás vai se concentrar em cobrar que as terras da Fazenda Nova Alegria, onde se ergueu o acampamento Terra Prometida, sejam destinadas para as mãos das trabalhadoras e trabalhadores.
Para o dia 17, está marcada uma audiência pública na Câmara Municipal de Felisburgo e, no dia 18, acontece uma passeata pela cidade.
“A justiça só se concretiza de fato com a resolução do conflito e o mesmo só terá solução com a desapropriação da terra e com o reconhecimento das famílias como assentadas”, destaca Silvio Netto, da direção do MST.

