A duas semanas do Festival do Trabalhador e da Trabalhadora, no 1º de Maio, a reportagem do Brasil de Fato RS esteve no centro de Porto Alegre para conversar com pessoas que estavam pelas ruas ganhando o sustento para suas vidas.
Encontramos diversos tipos de trabalhadores (as): ambulantes, andarilhos, autônomos, pejotas e empregados. Com aqueles que conversamos, buscamos entender suas formas de trabalho, horas que passavam nas ruas, jornadas semanais e de qual forma aquela realidade sustentava suas vidas.
Entregadores circulando pelo centro de Porto Alegre em uma segunda-feira pela manhã | Crédito: Clarissa Londero
Ao abordar os trabalhadores e trabalhadoras pelas ruas, logo o primeiro contato já nos dizia muito. Alguns abriam sorriso e carregavam brilho nos olhos. Estavam felizes de estarem produzindo, gerando renda e prestando serviços. Traziam no corpo e no olhar uma visível gratidão e tranquilidade em estarem ali.
Zilberto Zadonai, 81, trabalha há 50 como taxista. O veículo é próprio, e age de forma totalmente autônoma. Costuma ficar nas ruas das 7h às 19h, de segunda a sexta | Crédito: Clarissa LonderoArlei Brum, 64 anos, 26 deles trabalha como feirante. Sua jornada de trabalho é das 8h às 18h, de segunda a sexta-feira. Contribui com o INSS por conta e está por se aposentar em breve | Crédito: Clarissa LonderoChan Kin Lek, chinês, está há 60 anos no Brasil. Trabalha vendendo café da manhã nas ruas, de segunda a sábado, começando às 3h30 e indo até as 10h. É aposentado, tendo essa atividade como uma renda extra | Crédito: Clarissa LonderoTelmo Vargas, 78 anos, é aposentado da indústria metalúrgica e trabalha há 15 anos como engraxate nas ruas do Centro para ter uma renda extra. Às vezes trabalha, outras não, conforme sua vontade. Apesar do baixo movimento no seu serviço, faz piada, sorri e considera ter boa sorte na vida | Crédito: Clarissa LonderoMiguel, artesão colombiano e andarilho, está em Porto Alegre há 10 anos. De poucas palavras e sorriso farto, ele pediu para não falar, mas autorizou que tirássemos fotos. Viaja o mundo, trabalha e folga quando quer | Crédito: Clarissa Londero
Nossa reportagem percebeu que os trabalhadores que aparentavam estar mais leves no seu serviço eram aqueles que levavam consigo pelo menos uma de duas bases fundamentais: a segurança além daquela renda gerada ali nas ruas (como aposentadoria ou algum bem de valor) ou então a liberdade de escolher seus horários de trabalho.
Márcio é ativista e liderança de grupo de bikers chamado Nós por Nós. Sua luta é por valorização e cuidado nas relações de trabalho | Crédito: Clarissa Londero
Por outro lado, conhecemos realidades de pessoas que vivem jornadas de trabalho enormes enquanto trabalhadores autônomos. Cidadãos que precisam estar na rua mais de 12 horas por dia, 6 dias por semana e, geralmente, sem nenhuma garantia de conseguir fornecer o sustento básico seu e de sua família. Esses traziam um olhar penoso e uma timidez que os escondia atrás do fardo que levavam. A maioria nem quis ser retratada por nossa reportagem.
Amauri Eugênia trabalha há 8 anos como ambulante com a mãe, ficando nas ruas das 5h30 às 20h | Crédito: Clarissa Londero
Uma das pautas trazida pelo movimento sindical para este 1º de Maio é o fim da escala 6×1. As centrais sindicais e os sindicatos defendem também a redução da jornada de trabalho, o combate à pejotização e a defesa dos serviços públicos, assim como o fim dos feminicídios.
Talissom é funcionário da Zona Azul, e relata ser uma boa empresa para se trabalhar. Quando perguntado sobre a escala 6×1, regime imposto a ele, ele diz que, se tivesse família e filhos, seria mais difícil | Crédito: Clarissa LonderoMauren Nascimento, há apenas 3 meses na Banca do Holandês, na escala 6×1, se considera com sorte por estar nesse trabalho. Com carteira assinada, relata que o local preza por manter os funcionários e isso lhe traz segurança | Crédito: Clarissa LonderoTrabalhadores formais pelas ruas do centro de Porto Alegre | Crédito: Clarissa LonderoTrabalhadores formais pelas ruas do centro de Porto Alegre | Crédito: Clarissa LonderoTrabalhadores da limpeza levam o importante serviço de manter as ruas limpas, e pedem por valorização | Crédito: Clarissa LonderoSilvia, há 15 anos trabalha com a casa de religião onde mora. Vende objetos religiosos e aplica passes e, com isso, se sustenta e doa parte para a casa de religião. Trabalha na porta do Mercado Público, de segunda a sábado, das 7h às 17h, e acredita no propósito do seu trabalho | Crédito: Clarissa LonderoDenise Martins, trabalha com o ponto de venda de flores desde sempre, com a mãe. Faz jornadas diárias das 6h às 17h30, de segunda a sexta | Crédito: Clarissa LonderoDependendo das condições de suporte e de direitos, o fardo passa a ser pesado de se carregar | Crédito: Clarissa LonderoA arte permeia o cimento assim como o desejo de ser feliz permeia o dia a dia da classe trabalhadora | Crédito: Clarissa Londero