O Brasil que elegeu Lula pela primeira vez é o mesmo que o reelegeu em 2022?

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Em 20 anos, o eleitorado brasileiro aumentou seu nível de escolaridade, a população brasileira envelheceu, as mulheres se tornaram a maioria entre os eleitores e os jovens entre 16 e 29 anos passaram a votar menos. Essas são algumas das conclusões que estão no livro O país dividido — Duas décadas de eleições presidenciais no Brasilque está em pré-lançamento e analisa as mudanças do Brasil após quatro governos do PT.

Autor do livro, o professor e cientista político Jairo Nicolau destaca como as políticas de educação no período foram exitosas. “A gente sempre reclama do sistema educacional, das escolas, do ensino no Brasil, mas, em 2002, 20 anos atrás, 70% do eleitorado era analfabeto, sem o fundamental completo. Hoje nós temos a grande maioria do eleitorado com ensino médio”, pontua.

Na pesquisa realizada para escrever o livro, Nicolau chegou a um mosaico de fatores que mostram como o Brasil mudou e como as forças políticas se ancoraram para chegarmos a uma disputa cada vez mais acirrada entre PT e anti-PT.

“A diferença importante dentre as seis eleições que eu estudei é que quando a gente tinha PT de um lado e PSDB do outro, era uma polarização natural. Tinha um PT de um lado e um anti-PT do outro, mas isso era feito com uma certa moderação. Nas eleições de 2018, com a chegada do Bolsonaro, que tomou o lugar do PSDB no segundo turno, o quadro mudou muito. Foi a chegada de uma força política à direita que se ativava falando com essa linguagem da direita, e isso realmente trouxe uma mudança muito expressiva”, avalia.

Para ele, essa polarização mais evidenciada que veio com o bolsonarismo “trouxe divisões sociais que não existiam”. “Apareceu uma clivagem, uma divisão de gênero, homens de um lado, mulheres de outro. Uma divisão educacional, com eleitores de ensino médio com Bolsonaro, eleitores de ensino fundamental com Lula, os eleitores de ensino superior se dividindo nas duas eleições. Então a chegada do Bolsonaro produziu um novo tipo de divisão que é mais ideológica”, afirma o cientista político.

Sobre as eleições deste ano e o empate técnico, até o momento, entre Lula e Flávio Bolsonaro, Nicolau avalia que é um cenário inimaginável alguns anos atrás. “É surpreendente. Flávio Bolsonaro é um senador com uma carreira modesta, para dizer pouco, mas que tem o sobrenome de um pai que foi preso e condenado no final do ano passado, todo processo, e de repente esse rapaz está no segundo turno praticamente cabeça a cabeça com o Lula. Então, a gente vai ter que colocar a cabeça para pensar o que está acontecendo com o país e quais fatores estão levando a gente a esse cenário”, conclui.

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