Irã diz não ter planos de retomar negociações com os EUA e denuncia ‘ato de pirataria’ contra navio

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O governo do Irã afirmou que não decidiu se participará de uma nova rodada de negociações com os Estados Unidos mediada pelo Paquistão e acusou Washington de violar o cessar-fogo ao atacar e apreender uma embarcação iraniana, o que foi classificado por Teerã como “ato de pirataria”.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmail Baghaei, disse que “até agora” nenhuma decisão foi tomada “sobre a próxima rodada de negociações” e afirmou que o país enfrenta “má-fé e reclamações constantes” por parte dos Estados Unidos desde o início do cessar-fogo. Segundo Baghaei, ações militares recentes estadunidenses, incluindo o ataque a um navio comercial iraniano, configuram “um ato de agressão” e ampliam a desconfiança em relação ao processo diplomático.

Baghaei também criticou a condução das negociações por Washington e afirmou que o Irã não pode ignorar a “experiência muito custosa” do último ano. “Os Estados Unidos traíram a diplomacia duas vezes” e realizaram ataques contra a soberania e os ativos iranianos, disse. Ele acrescentou que “todos os componentes do Irã monitoram de forma vigilante qualquer processo” e que decisões futuras serão tomadas com base nos interesses nacionais.

A tensão aumentou após forças estadunidenses apreenderem o navio iraniano Touska nas proximidades do Golfo de Omã. O comando militar dos Estados Unidos afirmou que a embarcação seguia em direção ao porto de Bandar Abbas e ignorou ordens para interromper a navegação em meio a um bloqueio naval imposto dias antes.

Autoridades iranianas, por sua vez, afirmaram que a embarcação foi alvo de disparos, teve o sistema de navegação desativado e recebeu militares a bordo. Um porta-voz militar disse que o episódio constitui “banditismo marítimo” e “pirataria”. “As Forças Armadas da República Islâmica do Irã responderão em breve a este ato de pirataria e agressão armada”, declarou. Após o ataque, forças iranianas lançaram drones contra embarcações militares estadunidenses na região.

O episódio ocorre em meio a uma escalada no Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte de petróleo, diante de ameaças de bloqueio naval dos Estados Unidos contra navios ligados ao Irã.

O impasse segue duas semanas após um cessar-fogo mediado pelo Paquistão em 8 de abril, que interrompeu a guerra iniciada em 28 de fevereiro. O conflito começou após ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, na sequência da morte do líder iraniano Ali Khamenei, além de comandantes militares e civis. Os bombardeios atingiram áreas militares e civis e foram seguidos por ataques iranianos com mísseis e drones contra posições estadunidenses e israelenses.

Dados oficiais iranianos indicam que 3.375 pessoas morreram no conflito até 10 de abril. Segundo as autoridades, a maioria das vítimas era formada por civis, incluindo crianças e idosos, e cerca de 40% dos corpos não puderam ser identificados inicialmente devido aos tipos de armas utilizadas.

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