Os Estados Unidos ordenaram que o delegado da Polícia Federal, Marcelo Ivo de Carvalho — envolvido na prisão do ex-deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ) — deve deixar o país. A medida foi divulgada nesta segunda-feira (20) pelo Escritório para Assuntos do Hemisfério Ocidental do governo estadunidense.
Sem citar nome, a Embaixada dos EUA no Brasil publicou a informação em uma rede social, acusando-o de “perseguição política”. “Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro em questão deixe o país por tentar fazer isso”, diz o texto.
Segundo o G1, a informação e nome do funcionário foram confirmados pela Embaixada do Brasil nos Estados Unidos. Carvalho atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas (ICE).
Agradecimento ao Trump
O ex-deputado federal foi preso pelo ICE na segunda (13) e solto na quarta-feira (15), após ficar detido no condado de Orange, na Flórida, Estados Unidos.
Um dia depois de sair da cadeia, Ramagem publicou um vídeo agradecendo à cúpula do governo Donald Trump pela soltura e afirmou que a liberação dele foi administrativa.
“Eu venho agradecer ao governo norte americano, da mais alta cúpula da administração Trump”, disse Ramagem em uma publicação nas redes sociais.
Ramagem deixou o Brasil em 2025 após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 16 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, por integrar o núcleo central da trama, que buscava manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no poder, enquanto comandava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Para sair do país, o ex-chefe da Abin cruzou a fronteira de Roraima com a Guiana e, depois, seguiu para os Estados Unidos, entrando clandestinamente no país.
Em janeiro deste ano, o Ministério da Justiça encaminhou o pedido de extradição para o governo dos Estados Unidos. Ramagem pretende pedir asilo político no país, enquanto o ministro Alexandre de Moraes determinou a inclusão de seu nome na lista da Interpol.

