Um rabino extremista conhecido por demolir com tratores casas de civis em Gaza acenderá uma tocha na celebração do Dia da Independência de Israel, nesta terça-feira (21). Ativistas de direitos humanos afirmam que a escolha simboliza a aceitação do genocídio como o “espírito da nação” oficial.
Avraham Zarbiv é uma das 14 pessoas escolhidas por sua “contribuição extraordinária para a sociedade e o Estado”, juntamente com um cientista, um chef com estrela Michelin, um médico renomado, membros das forças de segurança e empresários. Ser escolhido para tal função é uma honraria nacional.
Reservista que dirige um trator blindado, Zarbiv ganhou notoriedade por meio de vídeos que documentam sua campanha pessoal de destruição em Gaza, frequentemente acompanhada de retórica inflamada.
“Vocês não terão mais nada”, declara o líder espiritual em uma narração, enquanto a câmera percorre uma paisagem de prédios destruídos. “Vamos arrasar vocês e destruí-los.”
Zarbiv é tão controverso que até mesmo as Forças Armadas de Israel — uma organização que admite ter matado mais de 70 mil palestinos em Gaza — se distanciaram publicamente dele. Um porta-voz militar afirmou na semana passada que Zarbiv “não foi selecionado em coordenação” com os militares e não os representava na cerimônia, apesar de ser reservista do exército.
Mensagem ao mundo
O rabino de 52 anos ganhou fama nacional em Israel no início de 2024, quando foi filmado lançando granadas contra palestinos em Khan Younis, Gaza, durante um tiroteio.
Desde então, ele tem se filmado demolindo alegremente casas palestinas — seu nome chegou a se tornar um verbo que significa arrasar ou obliterar — e proferido sermões nas ruínas de Rafah, prometendo “vitória e assentamentos”. Zarbiv combina tudo isso com os maneirismos tradicionais de um líder religioso, pontuando suas ameaças e violência com imagens dele tocando um chifre de carneiro tradicional, ou shofar, além de recitar orações e trechos da Torá.
A ministra Miriam Regev declarou que escolheu Zarbiv para o cargo devido à sua liderança dupla “inspiradora” como rabino e soldado, “entre a Bíblia e a espada”.
“Essa escolha envia uma mensagem clara aos cidadãos de Israel e ao mundo inteiro: em Israel, genocídio, limpeza étnica e crimes de guerra são o ‘espírito da nação’”, criticou a organização israelense de defesa dos direitos humanos B’Tselem.

