‘Quem afundou o BRB foram eles’: deputados denunciam tentativa do GDF de terceirizar crise financeira

Publicada em

A situação financeira do Banco de Brasília (BRB) e as recentes estratégias de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF) dominaram os debates na Câmara Legislativa (CLDF) nesta quarta-feira (22). Durante a sessão, parlamentares de oposição analisaram o impacto da assembleia extraordinária que aprovou um aumento de capital de até R$ 8,8 bilhões na instituição. Para os distritais, o movimento pode resultar na perda do controle acionário por parte do DF, uma vez que o governo alega não possuir recursos para acompanhar o aporte.

O deputado Chico Vigilante (PT-DF) utilizou a tribuna para contestar as declarações da governadora em exercício, Celina Leão (PP), que teria buscado vincular as dificuldades do banco a uma suposta falta de auxílio da União.

Segundo o parlamentar, o governo federal não possui relação com a atual conjuntura da estatal. “Quem afundou o BRB foram eles. Quem quebrou o BRB tem nome, CPF e endereço: são os atuais governantes do Distrito Federal. Portanto, o governo federal não tem nada a ver com isso e quer distância dessa crise”, declarou o distrital.

O vigilante também demonstrou preocupação com a redução da participação estatal no banco. De acordo com sua análise, o aumento de capital pode ser uma oportunidade para acionistas privados adquirirem partes da empresa por valores abaixo do mercado.

“Esse suposto aumento do capital são os acionistas que vão comprar ações na bacia das almas. Como o GDF não tem dinheiro para comprar ações, o capital privado vai dominar efetivamente o banco e se apropriar dele”, analisou.

Responsabilidade política e gestão

O deputado Fábio Felix (Psol-DF) reforçou que a crise não pode ser terceirizada para instâncias externas, classificando como um resultado direto das decisões tomadas nos últimos anos. Para o parlamentar, buscar o apoio do Banco Central ou do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma obrigação institucional após as falhas de gestão, mas isso não livra os governantes de assumirem seus atos perante a população.

Felix pontuou que a tentativa de envolver o presidente Lula no cenário de crise é um movimento sem fundamentação política. “Nós estamos falando de uma crise encomendada, totalmente empacotada pelo governo do Distrito Federal. Foram os governantes do DF, o governador Ibaneis Rocha e o presidente Paulo Henrique, nomeado por ele, que fizeram todas as operações. Agora, querem jogar essa responsabilidade no governo federal”, considerou.

O distrital ainda cobrou transparência da gestão sobre a real situação do banco. “Uma coisa é a população saber que a culpa da situação que o BRB está enfrentando é dos atuais governantes do Distrito Federal. Agora eles têm que colocar a bolsa debaixo do braço e ir atrás de soluções, inclusive conversando com a população para revelar qual é a real situação”, completou Felix.

Desdobramentos judiciais e comando

Já o deputado Gabriel Magno (PT-DF), direcionou suas críticas a uma recente entrevista concedida pela governadora Celina Leão, na qual ela teria se distanciado de operações polêmicas, como a tentativa de compra de carteiras do Banco Master. Magno lembrou que a operação só foi interrompida após questionamentos da oposição e do Banco Central e ressaltou que a crise está ligada a um modelo de negócios que agora é alvo de investigações.

Para Magno, a solução para a instituição financeira exige uma mudança profunda no grupo que comanda o BRB. “A solução para o BRB passa, primeiro, por essa turma sair do comando e do controle majoritário. Quem criou a crise não tem condição, nem legitimidade moral e política, para agora apresentar qualquer solução”, observou. Ele destacou que contratos de patrocínio e remunerações de dirigentes precisam ser revistos com rigor.

O deputado encerrou seu pronunciamento citando que, embora os operadores dos esquemas investigados já enfrentem consequências judiciais, é necessário avançar na apuração de responsabilidades políticas.

“Nós sabemos que o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique, está preso por negociar propina enquanto comprava bilhões de reais de carteiras fraudulentas. Nós precisamos saber agora quem são os mandantes, pois os operadores do esquema já estão na cadeia”, concluiu Magno.


Apoie a comunicação popular no DF:

Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para (e-mail protegido)

Siga nosso perfil fora do Instagram e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso canal sem Whatsapp e acompanhe as atualizações.

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304-0102

Source link