Soberania latino-americana e influência dos EUA marcam debates no 1º dia do Congresso do PT

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O debate sobre soberania latino-americana marcou o primeiro dia do 8º Congresso do Partido dos Trabalhadores (PT), em Brasília, com críticas à atuação dos Estados Unidos na região e alertas sobre possíveis impactos em processos eleitorais.

O tema foi discutido em painel internacional coordenado por Monica Valente, diretora da Fundação Perseu Abramo, e pelo senador Humberto Costa, secretário de Relações Internacionais do PT.

Participaram representantes estrangeiros como Victor Manuel Cairo Palomo, embaixador de Cuba no Brasil; Héctor Díaz-Polanco, deputado do Movimiento de Regeneración Nacional (Morena), do México; e Pietro Alarcón, integrante da Comissão Política do Pacto Histórico, da Colômbia.

Para Humberto Costa, a defesa da soberania é central para a preservação da democracia, especialmente diante do cenário político atual. “Reafirmar a soberania é fundamental neste momento. Trata-se de garantir que o processo eleitoral ocorra sem interferências externas e com respeito às instituições brasileiras”, afirmou.

No cenário internacional, Díaz-Polanco destacou que o mundo passa por um período de transformação nas relações entre países. “Estamos diante do enfraquecimento de um sistema construído ao longo de séculos, baseado em princípios que buscavam garantir direitos e organizar a convivência entre as nações”, disse.

Segundo o parlamentar, esse contexto abre espaço para disputas por poder e influência. “Forças políticas e econômicas buscam redefinir as regras do jogo, muitas vezes sem respeitar os princípios que garantiam certa estabilidade”, afirmou.

Impactos

Díaz-Polanco também apontou a tentativa de imposição de agendas externas na América Latina. “Há uma política que busca se impor a partir de interesses estrangeiros, influenciando decisões internas e processos políticos nos países da região”, disse.

Humberto Costa destacou que esse tipo de atuação pode afetar diretamente o cenário eleitoral. “Existe uma parcela significativa de eleitores sem posicionamento consolidado, mais sensível a narrativas externas, o que pode ser decisivo no resultado das eleições”, avaliou.

Segundo o senador, a influência externa ocorre por meio de diferentes mecanismos. “Não se trata apenas de posicionamentos diplomáticos. Há instrumentos que vão desde o condicionamento de apoio financeiro até restrições econômicas, com impacto no ambiente político interno”, afirmou.

Ele acrescentou que esses movimentos também atingem a economia. “O mercado reage a sinais internacionais, e isso pode gerar efeitos indiretos sobre o processo eleitoral”, disse.

Situação de Cuba

O embaixador Victor Manuel Cairo destacou a experiência de Cuba como exemplo de pressão externa contínua. “Cuba enfrenta há mais de 60 anos uma política sistemática de restrições, que hoje começa a ser percebida com mais intensidade por outros países da região”, afirmou.

Segundo ele, a atuação estadunidense na América Latina segue um padrão histórico. “Trata-se de uma prática recorrente de interferência nos processos internos dos países, especialmente em momentos eleitorais”, disse.

O diplomata afirmou que o bloqueio econômico, vigente desde 1962, impacta diretamente a população cubana. “Vivemos uma guerra econômica permanente, baseada em restrições e isolamento”, declarou.

Para Cairo, essa dinâmica reflete uma visão geopolítica mais ampla. “Há uma concepção de que a América Latina deve ser tratada como área de influência, independentemente da soberania dos povos”, afirmou.

Internacionalização

Apesar das tensões, os participantes defenderam a cooperação internacional como resposta. “A saída passa pela solidariedade entre os povos e pelo fortalecimento de projetos que defendam a autodeterminação”, disse o embaixador cubano.

Pietro Alarcón destacou o papel de países emergentes nesse processo. “O Brasil ocupa uma posição relevante em iniciativas que buscam ampliar a cooperação internacional e oferecer alternativas ao modelo predominante”, afirmou.

O representante colombiano também mencionou a atuação independente do país em questões internacionais, como o rompimento de relações com Israel em 2024. “Não havia coerência em defender direitos humanos e manter relações diante de um cenário de violência extrema”, disse.

Ele ainda apontou o crescimento de mobilizações globais em defesa da paz. “Existe uma mobilização cada vez mais ampla contra a guerra e as intervenções externas, ainda que muitas vezes invisibilizada”, avaliou.

Por fim, destacou a reabertura da fronteira com a Venezuela como medida estratégica para a região. “Uma fronteira fechada favorece a ilegalidade e a violência. Reabrir esse espaço é fundamental para garantir integração entre os povos”, afirmou.

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