O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, se reuniu com o primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, em Islamabad, na manhã deste sábado (25), iniciando uma viagem diplomática que incluirá passagens por Omã e Rússia. A agenda no país também incluiu reunião com o chefe do Exército paquistanês, Syed Asim Munir.
A delegação irianiana deixou o país após entregar aos líderes paquistaneses uma lista oficial de exigências para o fim da guerra perpetrada pelos EUA e Israel contra o Irã.
Segundo a Tasnim, agência estatal do Irã, durante a reunião com Sharif, Aragchi expressou apreço pelos esforços de altos funcionários paquistaneses em trabalhar para pôr fim à guerra contra o Irã, bem como por seu papel em facilitar um cessar-fogo e sediar negociações.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores iraniano, Esmaeil Baqaei, havia antecipado que o cronograma em território paquistanês priorizava esforços de paz regionais, sem previsão de encontros com representantes dos Estados Unidos.
“Não está prevista nenhuma reunião entre o Irã e os EUA. As observações do Irã serão transmitidas ao Paquistão”, informou o porta-voz, em publicação no X.
Bloqueio naval
O embaixador do Irã nas Nações Unidas em Genebra, Ali Bahreini, afirmou à rádio BBC que a continuidade das tratativas com Washington depende da suspensão do bloqueio naval aos portos iranianos, classificando a medida como um descumprimento do cessar-fogo vigente. No período, houve escalada de tensão no Estreito de Ormuz, com apreensões de embarcações por ambos os lados.
As tensões atuais ocorrem em decorrência dos ataques militares realizados pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, que resultaram nas mortes do líder da Revolução Islâmica, aiatolá Ali Khamenei, e de oficiais do comando militar.
Em resposta, as Forças Armadas iranianas promoveram ataques com mísseis e drones contra bases estadunidenses e alvos em Israel e no Golfo Pérsico durante 40 dias. O conflito foi interrompido por uma trégua de duas semanas mediada pelo Paquistão em 8 de abril, o que permitiu o início de diálogo em Islamabad.
Durante as rodadas de negociação ocorridas em 11 e 12 de abril, a delegação do Irã apresentou uma proposta de dez pontos, incluindo a retirada de tropas americanas e o fim das sanções econômicas. As sessões foram encerradas sem acordo após 21 horas de debate, com os representantes de Teerã citando a ausência de garantias sobre o cumprimento dos compromissos por parte de Washington.
No momento, o governo iraniano condiciona o retorno às mesas de negociação à retirada das restrições marítimas, sob o argumento de que a manutenção do bloqueio naval invalida os termos da trégua estabelecida.

