Casa Luiz Gama homenageia abolicionista e promove atividades de valorização da cultura negra no centro de SP

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Localizada no bairro Campos Elíseos, no centro de São Paulo, a Casa Luiz Gama se estabelece como um centro cultural e ponto de encontro para movimentos populares. O espaço, batizado em homenagem ao abolicionista Luiz Gama, desenvolve uma série de atividades culturais e educativas.

Reconhecida como Ponto de Cultura, a casa foi premiada pelo Município de São Paulo no âmbito do Edital Padronizado – Chamamento Público nº 36/2024, consolidando-se como referência no território em que está inserida.

Gabriella Rocha Crepaldi Lima, coordenadora de projetos da Casa Luiz Gama e do Movimento Brasil Popular, explica o funcionamento do local. “Além das atividades, a casa também é um espaço da secretaria do Movimento Brasil Popular e do Levante Popular da Juventude. Então, é um espaço que congrega dois movimentos populares. Hoje vamos começar com o Cine Debates em conjunto com o cursinho popular Luiz Gama”, afirma Gabriella.

O cursinho popular funciona de segunda a sexta-feira, e o Cine Debates busca integrar tanto o público externo quanto os alunos do cursinho. Além disso, está prevista a formação de agentes populares de cultura, que ocorrerá de 9 de maio a 11 de julho, com seis encontros, visando ocupar a casa com outros fazedores de cultura do território.

Outras atividades incluem aulas de capoeira, realizadas toda sexta-feira, e o Clube do Livro Lélia González, que se reúne pelo menos uma vez por mês. O objetivo do clube é “trabalhar a obra de autores e autoras negros e negras e construir um diálogo”, diz Gabriella.

O primeiro encontro foi realizado no início de 2024 e discutiu sobre a vida e obra de Lélia Gonzalez com a presença de Rosa Negra, especialista sobre a vida e obra de Lélia Gonzalez e militante do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Clube do Livro da Casa Luiz Gama, ponto de cultura no centro de São Paulo
Clube do Livro da Casa Luiz Gama, ponto de cultura no centro de São Paulo | Crédito: Casa Luiz Gama

Além disso, a casa serve como espaço para recebimento do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), especialmente para alimentos secos, devido ao trabalho com cozinhas solidárias.

O espaço também funciona como ponto de encontro e organização para os movimentos, além de sediar eventos. “No segundo semestre vamos fazer um evento perto da data de morte do Luiz Gama, que foi dia 24 de agosto”, informa Gabriella.

Guilherme Leutwiler, secretário nacional do Movimento Brasil Popular, complementa que o espaço aglomera diversos movimentos e diversas organizações. “Inclusive, a dos cursinhos é a Podemos Mais, que é a ferramenta vinculada ao levante.”

A escolha do nome Luiz Gama para a sede do movimento e das organizações do campo popular visa o entendimento da importância dele a nível nacional na abolição da escravatura. “Queremos construir essa imagem de resgate dessa história dele e da luta anti-escravocrata, quanto do movimento popular mesmo, de entendermos a necessidade de nos organizarmos para construir caminhos e possibilidades de intervenção e de modificação estrutural na sociedade. Esse é o grande ponto”, explica Guilherme.

A localização da casa no centro de São Paulo estabelece uma relação próxima com a comunidade do Moinho, afetada por desalojamentos. “Existe essa relação próxima da casa com essa comunidade e inclusive estamos recebendo um curso de formação deles sobre ocupação e sobre como sair do aluguel. Eles fazem essa mobilização com a comunidade para tentar garantir o direito à moradia. Então a casa também é esse espaço formativo do próprio território”, afirma Guilherme.

Ele também ressalta que o setor étnico-racial do movimento organiza festivais no mês da Consciência Negra em novembro. “A casa é um ponto-chave para essas atividades ligadas à cultura e à resistência”, diz.

O espaço busca democratizar o acesso à cultura para a população local, especialmente pessoas de baixa renda, que muitas vezes não se sentem pertencentes a outros espaços culturais.

A dimensão literária e artística de Luiz Gama, que utilizava a poesia como instrumento de denúncia, inspira a atuação da Casa, que compreende a cultura como ferramenta de transformação social e emancipação popular.

Entre as ações culturais, educativas e comunitárias desenvolvidas e abrigadas pela Casa, destacam-se o Samba do Trabalhador, evento mensal que ocupa o espaço público do território, os cine-debates Luiz Gama, sessões de exibição de filmes seguidas de debates, abertas ao público, o clube do livro Lélia Gonzalez que promove encontros mensais para debates sobre obras e temas relacionados à cultura negra e ao pensamento crítico.

Eventos culturais pontuais também são realizados no espaço, com acolhimento de diversas ações, como Festa do Vinil, Festa da Juventude, encontros de Slam e festivais.

Aula de capoeira de angola na Casa Luiz Gama. Créditos: Casa Luiz Gama.
Aula de capoeira de angola na Casa Luiz Gama. | Crédito: Casa Luiz Gama

Operando desde 2023, o cursinho popular promove aulas preparatórias para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), voltado a jovens e adultos, com encontros de segunda a quinta-feira no período noturno. Aulas semanais de capoeira de Angola também promovem aprendizado de movimentos e músicas, valorizando a cultura afro-brasileira como ferramenta de integração social, fortalecimento comunitário e desenvolvimento pessoal.

O espaço também conta com uma biblioteca popular, que tem como intuito democratizar o acesso a livros científicos e de literatura para a juventude, em especial aqueles que

participam do Cursinho Popular. A biblioteca é mantida a partir de doações individuais e de entidades e organizações parceiras da Casa Luíz Gama e não cobra nenhum valor da comunidade que queira emprestar os exemplares disponíveis.

Todas as atividades mencionadas são gratuitas e estão contempladas no projeto dos pontos de cultura, focando na parte cultural.

Endereço: Rua Guaianazes, 1435 | Campos Elíseos

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