A Casa Branca confirmou na tarde desta segunda-feira (27) que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, junto a assessores, está avaliando uma proposta de reabertura do Estreito de Ormuz do governo iraniano condicionada ao fim do bloqueio naval estadunidense na região. O programa nuclear iraniano ficou fora do documento.
Para Amauri Chamorro, especialista em Comunicação Política, o Irã não está disposto a abrir mão do enriquecimento de urânio. “O Irã sabe que não adianta querer chegar a um novo acordo com países que têm te atacado. Sendo que esses mesmos países não cumpriram acordos anteriores. Acho muito difícil o Irã acabar cedendo nesse momento a sua soberania sobre a questão do desenvolvimento tecnológico, porque tem todo o direito de desenvolver tecnologia nuclear tanto para uso civil como para uso militar. Qualquer país do mundo tem esse direito”, afirmou em entrevista ao Conexão BdFsim Rádio Brasil de Fato.
Chamorro também destacou a relação de proximidade e apoio dos russos com o Irã e defendeu que, com a crise moral que vive a hegemonia estadunidense, vai ficando evidente que a “centralidade do mundo sempre foi o Oriente”.
“A geopolítica do mundo, você tem um peso da Rússia muito grande que sempre fez o contraponto dos Estados Unidos”, afirma. “O Irã sempre se apoiou na Rússia, assim como muitos outros países. A relação, por exemplo, da Turquia com a própria Rússia é fundamental para entender essa dinâmica. É um mundo muito à parte daquilo que a gente está acostumado aqui no Ocidente. É uma realidade construída e que se constrói constantemente há mais de 5 mil anos, antes mesmo de existir a Europa como uma região que começou a invadir o resto do planeta e saquear o mundo inteiro. Ou seja, já existia nessa região uma certa correlação cultural e de desenvolvimento econômico que volta a persistir e volta a ter a China, como sempre foi, como o grande centro da cultura, do desenvolvimento tecnológico e da economia no planeta”, afirma.
Para ele, o cenário atual indica uma mudança importante na correlação de forças global. “A Rússia junto com o Irã e nessa relação muito próxima com a China, uma relação visceral, eu diria, no econômico, nas questões militares, você tem um um fechamento, digamos, de um período de quase de onipresença ou de medo que os Estados Unidos impõem ao mundo inteiro”, avalia Chamorro.
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