A sessão ordinária da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) foi marcada por críticas da oposição ao governo de Celina Leão (PP) e Ibaneis Rocha (MDB) nesta terça-feira (28). Os parlamentares denunciaram o esvaziamento do plenário por parte da base governista em um momento de crise, que envolve desde denúncias de corrupção no Banco de Brasília (BRB) até a paralisação de professores e estudantes da Universidade do Distrito Federal (UnDF).
O deputado Gabriel Magno (PT-DF) subiu à tribuna para questionar a ausência de parlamentares aliados ao Palácio do Buriti durante as discussões de temas sensíveis para a capital. Segundo o distrital, o esvaziamento demonstra que o governo perdeu as condições morais e políticas de dialogar com a sociedade.
“Não tem um parlamentar da base do governo no plenário numa terça-feira”, afirmou. O deputado associou a ausência ao medo de esclarecimentos sobre a possível delação premiada do ex-presidente do BRB e às recentes revelações de um rombo nas contas públicas que pode chegar a R$9 bilhões.
“A mentira está imperando, e mentira tem perna curta. O governo Ibaneis mentiu para essa casa durante quatro anos dizendo que as contas estavam uma maravilha”, completou o parlamentar.
Crise sem BRB
A situação do BRB foi um dos pontos centrais dos debates. O deputado Max Maciel (Psol-DF) relembrou que a oposição já havia alertado sobre os riscos da relação entre o BRB e o Banco Master. Para Maciel, o governo demonstra desespero ao tentar salvar o banco por meio da entrega de terrenos públicos.
“Nós avisamos que o projeto não estava adequado, que esses terrenos não salvariam o banco. O governo manda o projeto um dia, no outro dia já muda os terrenos”, analisou.
O parlamentar também questionou a falta de transparência, apontando que o balancete do banco estaria atrasado. “Eu também não sei se estou a fim de salvar um lugar que não consegue mandar um balancete e as informações necessárias”, pontuou.
O deputado Fábio Félix (Psol-DF) reforçou o tom crítico, classificando o projeto governamental como um “paliativo” para um escândalo de corrupção de proporção nacional. Félix celebrou a retirada da área conhecida como Serrinha do Paranoá do projeto de capitalização do banco, definindo o recuo do governo como uma “vitória extraordinária do movimento ambientalista”.
Impasse da UNDF
Além das questões financeiras, a greve na UnDF mobilizou as falas dos distritais. Chico Vigilante (PT) destacou a presença de estudantes e professores nas galerias da CLDF e cobrou o cumprimento da promessa de exoneração da reitora Simone Benck. Segundo o parlamentar, a gestão atual comete arbitrariedades e tenta perpetuar-se no poder sem diálogo com a comunidade acadêmica.
“A reitora está cada dia cometendo mais arbitrariedades contra os professores e os estudantes. Ela nunca tinha falado de eleição, agora convocou uma eleição porque quer continuar mandando na universidade”, relatou Vigilante.
Gabriel Magno acrescentou que o governo precisa rever contratos, como o aluguel de R$140 milhões pagos ao Iesb, enquanto anuncia decretos de contingenciamento que afetam áreas essenciais como saúde e educação.
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